Friday, August 24, 2007

37ª questão - 307 ou Fielder?

Outro dia conversando com uma amiga, percebi o quanto os bens de consumo realmente acabam servindo para demarcar e categorizar as pessoas.
Tudo começou quando esta amiga me contou que estava procurando um carro para comprar. A faixa de preços que ela queria pagar situava-se entre R$ 50 mil e R$ 60 mil. Dentro dessa faixa encontramos algumas opções de carros com diferentes perfis e posicionamentos.

Por isso ela começou a selecionar os carros, fazendo uma pesquisa mas mudando de idéia a cada mês. A sequência foi mais ou menos a seguinte: Meriva, Space Fox, Honda Fit, Peugeot 307 e Toyota Fielder. Foi ai que ela chegou num impasse. O marido adorou o Peugeot 307, não abrindo mão de comprar esse carro. Enquanto isso, ela se apaixonou pelo Toyota Fielder já imaginando-se sentada dirigindo pelas ruas.

Por conta disso, muitas discussões acaloradas vieram a se realizar. No começo achei um tanto quanto fútil brigar por um motivo desses. Mas só quando ela me contou o seguinte insight que me caiu a ficha:
"Eu estava saindo do trabalho, quando vi lado a lado um 307 e um Fielder. Comparei os dois e percebi que o 307 era moderno, esportivo, passava uma imagem mais jovem. Justamente a cara do meu marido. Enquanto isso, o Fielder era a minha cara. Passa a imagem de uma executiva já madura, que sabe o que quer, tem filhos e está em outra fase da carreira."

Ou seja, as brigas pela escolha do carro na verdade eram apenas a parte visível de uma questão muito mais profunda. O ponto-chave das discordâncias foi a diferença de valores que cada um do casal se identificou. Os aspectos necessários para afirmação de identidade eram diferentes e não convergiam num ponto em comum. Essas diferenças foram representadas num bem emblemático, que no caso era um carro. Muito mais do que escolher um carro ou outro, essa decisão envolvia privilegiar uma forma ou outra de personalidade.

Quanto a escolha do carro, isso ainda não foi decidido pelo casal. Assim que eu souber, conto em primeira mão qual foi o desfecho dessa história.

Thursday, August 16, 2007

36ª questão - Como fazer uma embalagem?

Esse post é sobre uma aula que tive no meu curso de Pós-graduação. A matéria chama-se Sentidos, percepção e design. O resumo da aula foi o seguinte:

Apresentamos as embalagens que escolhemos trazer e explicar o porquê dessa escolha. Apareceram muitas embalagens interessantes, sendo destacado a importância que o visual tem na percepção de uma marca.

Após as apresentações, fizemos um exercício de redesenhar 3 embalagens que trouxemos direcionando-se para o mercado da 3ª idade. Em geral todos tiveram os insights característicos de produtos voltados para esse público como: aumento da tipografia, utilização de cores mais suaves, adaptação do formato para melhor ergonomia, destaque para atributos importantes nessa faixa etária e porções menores para facilitar a conservação do produto.

Por experiência própria na área, sei que muitas vezes não é tão simples assim redesenhar uma embalagem. Uma das maiores dificuldades que encontrei foi a falta de briefing e posicionamento da marca. Antes de começar um projeto de embalagem, existe uma série de questões a ser pensada como:
- viabilidade dos processos de impressão,
- impacto do custo da embalagem no custo final do produto
- estratégia de marketing da empresa
- benchmarking com os concorrentes
- pesquisa de tendências e posicionamentos
- descarte da embalagem depois da utilização
- logística de armazenamento e transporte
- legislação sobre textos legais

Achei o exercício interessante porém, preferia que fosse realizado após um embasamento de todas as etapas do desenvolvimento de uma embalagem. Assim conseguiríamos chegar em resultados mais consistentes e efetivos para uma solução de embalagem.

Monday, July 30, 2007

35ª questão - Água: um direito humano ou uma commodity?

Muito interessante esse ponto de vista sobre a questão da água. No mínimo é para se pensar:

"One of the most visible examples of corporate control of water is bottled water. It is the fastest growing sector of the US beverage market and just three corporations – Coke, Pepsi and Nestlé – make up over half of the US bottled water market. These corporations are privatizing our water, bottling it and selling it back to us at prices hundreds, even thousands of times what tap water costs. They have turned a shared common resource into a $100 billion global market – and one of the world’s fastest growing branded beverages."

Alguns restaurantes estão se juntando ao movimento servindo água de torneira em garrafas de vidro. Somente mesmo através de uma conscientização geral é possível atitudes desse tipo. O site para ler mais sobre a campanha é: http://www.stopcorporateabuse.org/cms/page1353.cfm

Cada vez mais, nós temos o poder de se mobilizar e lutar pelo interesse público organizando campanhas que procurem beneficiar toda sociedade. Essa tendência de pensar no coletivo, se apresenta cada vez mais evidente nas novas gerações.

Segundo Marc Gobé em seu livro Emotional Branding, a "geração Y" que são as pessoas nascidas entre 1977 e 1994 são mais conscientes do que as anteriores. Possuem um forte senso comunitário e tem essa ideologia de transformar o mundo para melhor. Com tantas previsões catastróficas para o futuro, quem sabe isso ainda nos dê um pouco de esperança?

34ª questão - Quais as marcas mais valiosas do mundo?

A Interbrand acaba de divulgar o resultado da pesquisa Best Global Brands 2007, que estima as 100 marcas mais valiosas do globo. As três primeiras posições foram mantidas pelas mesmas marcas que em 2006 ocupavam igual colocação no ranking.
A Coca-Cola continua como a mais valiosa do mundo (US$ 65,234 bilhões), seguida pela Microsoft (US$ 58,709 bilhões) e pela IBM (US$ 57,091 bilhões). Em sua sétima edição, a pesquisa, que é publicada pela revista de negócios norte-ame ricana Business Week, atesta a Coca-Cola com o primeiro lugar desde a primeira relação divulgada, há sete anos.
O grande destaque continua sendo o Google, que teve uma valorização de 44% em 2007. A marca, que tem ficado mais valiosa a cada ano, encabeça a lista das que mais crescem: 46% em 2006. De 2005 para cá, o ambiente virtual, que passou de uma simples ferramenta de pesquisa a um portal de informação, subiu da 38ª para a 20ª posição, e hoje vale mais de US$ 17,837 bilhões.

Para ler a matéria completa no Portal da Propaganda é só clicar aqui.

Monday, July 23, 2007

33ª questão - O que é preciso para criar uma marca forte?

Segundo Philip Kotler:

O marketing já foi corretamente denominado de a arte de criar marcas. Uma marca é mais que um nome. Se não for fácil identificá-la, não será realmente uma marca. Há diferenças entre uma marca com pouca ou muita penetração, e a função da pessoa de marketing é criar associações mais sólidas para a marca.

Uma marca forte tem cinco dimensões. Ela deve trazer à mente determinados atributos, tais como o tamanho do produto, suas características e assim por diante. Em segundo lugar, precisa sugerir fortemente uma ou duas vantagens cruciais. Por exemplo, a Volvo faz associação com segurança, enquanto a Apple utiliza a facilidade de operação. Em terceiro lugar, se a marca fosse uma pessoa poderíamos visualizar suas características. A Apple estaria na casa dos 20 anos e a IBM...lá pelos 60. Em quarto lugar, a marca deve sugerir alguma coisa a respeito do sistema de valores da companhia - ela é inovadora, responde às exigências dos clientes, tem consciência social? Finalmente, uma marca forte sugere a imagem dos usuários da marca - eles são jovens e entusiasmados ou mais velhos e assentados? O especialista de marketing incumbido de criar uma marca precisa desenvolver os cinco fatores que a tornam mais robusta.

Uma marca forte precisa ter cinco dimensões:

  • Deve trazer à mente do consumidor seus atributos, como o tamanho do produto, as características etc.

  • Deve sugerir fortemente uma ou duas vantagens cruciais, como Volvo sugere segurança.

  • Deve ter características semelhantes às de uma pessoa, fáceis de visualizar. A Apple, por exemplo, seria vista como uma jovem de 20 anos e a IBM como uma senhora de 60.

  • Deve sugerir algo sobre os valores da empresa - inovação, consciência social etc.

  • Deve sugerir também a imagem de seus usuários.

32ª questão - Quer um monstrinho?

Ainda falando em ações de marketing para crianças e adolescentes, o Peti mandou um exemplo muito legal de customização.

"Crie seu monstrinho!

Até eu queria um.
A cadeia de varejo Fao-Schwarz está oferecendo a partir do final deste mês a possibilidade das crianças desenvolverem seus próprios brinquedos. Basta eles criarem seus monstros e enviarem o desenho por e-mail ou carta. Algumas semanas depois eles o receberão de volta seguindo exatamente a imaginação infantil. A novidade já começa a virar mania com milhares de desenhos sendo enviados diariamente antes mesmo do lançamento. O preço é de gente grande: 250 dólares."

http://www.fao.com

31ª questão - Como atingir os pré-adolescentes?

Essa dica é da Marina que trabalha comigo na agência. Muito interessante como o marketing está evoluindo cada vez mais em relação a experiência com a marca.

"Dêem uma olhada no site: www.clublibbylu.com

Achei legal porque mostras as tendências de consumo das futuras mulheres.
Eles trabalham bastante a questão da customização entre as pré adolescentes.
Tem o Sparkle Spa, onde as "mocinhas" podem criar seus próprios cremes, o
VIP Lounge, para Very Important Princess, o Style Studio, salão de beleza
com tudo que uma mulher tem direito."

Monday, July 16, 2007

30ª questão - Quanto vale uma medalha no Pan?

Tudo bem a previsão de gastos para realização do Pan ser inicialmente de R$ 380 milhões, sendo que no final gastou-se mais de R$ 1,9 bilhões. Tudo bem também esse dinheiro ter vindo do nosso bolso, afinal foi praticamente tudo bancado pelo Estado. Aliás aumentaram a incidência de impostos justamente para sustentar essas e outras. Os problemas de organização também não tem importância. Isso apenas reforça nossa identidade brasileira como povo que dá um jeito em tudo. Se mesmo assim você é designer e não está revoltado com o Pan, existe ainda mais um motivo. Até mesmo o púlpito da inauguração que foi visto pelo mundo todo, estava com o logo aplicado de forma errada.

O melhor momento do Pan até agora foi ver o presidente Lula não ter aberto os jogos por medo das vaias. Tirando isso, não tem medalha que pague a utilização tão irresponsável do meu e do seu dinheiro.

29ª questão - Quer um briefing para melhorar o mundo?


Esta dica quem passou foi a Renata Almeida que trabalha comigo:

"Segue um site muito bacana, que entre outras coisas, está sempre promovendo competições internacionais ligadas à Design.
A bola da vez são as competições sobre os temas: Reinvente e Ame seu planeta.

Segue o link: www.designboom.com/competitions.html

Qualquer um pode participar, é tudo online, não paga nada e os prêmios são muito bons.
A concorrência é acirrada, mas é uma boa forma de exercitar a criatividade.

Vale a pena tambem olhar os resultados de competições passadas, tem muita coisa boa."

Sunday, July 08, 2007

28ª questão - Nada se cria, tudo se copia?


Recebi por e-mail um texto muito bom falando sobre originalidade e plágio do Luciano Tardin. Até por respeito a nossa profissão de designer, achei fundamental divulgar e repassar para o maior número de pessoas.

"Originalidade

Sou designer gráfico e professor universitário. Me formei no final da década de oitenta. Naquela época era muito comum a prática da imitação, por parte de empresas locais, de trabalhos empresas e produtos estrangeiros. Falávamos de alguns empresários como sendo pessoas inescrupulosas, que não valorizavam o setor criativo local. De fato isto existia e ainda existe. A identitade visual da empresa Camper, virou aos nossos olhos ainda naquela época, a Dimpus, Grifes estrangeiras eram registardas localmente clonando as características da empresa original como no caso que resultou na questão judicial entre a Converse, emprresa fabricante e detentora da marca ALL STAR, e a empresa brasileira ALL STAR. Naquela época, uma bilheteria para venda de ingressos em Nova Iorque poderia virar "inspiração" para a identidade de uma griffe local - tickt's (não tenho certeza da grafia). Toda esta prática era protegida pela distância espaço-temporal que nos separava dos grandes centros. Esta camuflagem não mais existe.

A prática do plágio não é uma exclusividade nossa. Empresas do mundo inteiro imitam, copiam, se valem da intangibilidade de certas questões para se "inspirarem" nos "top of mind". A revista alemã NOVUM, antiga GebrauchsGraphik, já publicava na década de 50 (a revista existe desde a década de 20, mas não sei se a coluna já existia), uma coluna sobre plágio. Sabemos pela história da arte que isto sempre foi presente. O que não justifica.

Me impressiona a repentina visibilidade de casos como este. Seja na triste e indiscutível falta de originalidade dos diretores de arte que se empenharam em reproduzir na abertura da novela Sete Pecados da Rede Globo um Hot site da IKEA, ou no plágio descarado no qual alguns estilistas nacionais foram flagrados em matéria publicada na revista Piauí, ou ainda no também indiscutível plágio do produto "do bem" que copiou desde a linguagem e discurso da marca innocent até mesmo sua embalagem, site e sabe-se lá o que mais.

http://www.innocentdrinks.co.uk/

http://www.dobem.com/

Gostaria que as instituições que se entitulam fruto da organização de profissionais, e que geralmente estão envolvidas em premiações e promoção de trabalhos "originais" estivessem sempre atentas a fatos como estes, inibindo, ou no mínimo não promovendo inconscientemente atitudes como estas. Está cada vez mais difícil lecionar neste país onde a falta de ética beira o caos. Como é também difiícil estimular o aluno e futuro profissional em uma pesquisa criativa, autônoma.

luciano tardin

luciano@tardincampos.com"

Wednesday, July 04, 2007

27ª questão - Qual o tamanho da "blogosfera"?

Saiu no Blue Bus dados sobre blogs:
Inglês (39%), japonês (31%) e chinês (12%) são os idiomas que predominam nos posts, segundo números de junho do novo relatório divulgado hoje pela Technorati. O português (com 2%) aparece logo depois do espanhol e do italiano.
A pesquisa atualiza os números sobre a blogosfera. O universo de blogs está agora 100 vezes maior do que há 3 anos e dobra a cada 200 dias (6 meses e meio). A Technorati monitora atualmente 50 milhões de blogs. Diz que 175 mil novos blogs surgem a cada dia - significa que, em média, são mais de 2 blogs criados a cada segundo. O volume de postagens diárias continua crescendo - são cerca de 1,6 milhao por dia, ou aproximadamente 18,6 posts por segundo.

Só o tempo que eu levei para publicar esse post, já foram criados mais de 360 blogs no mundo todo. É verdade que muitos deixam de ser atualizados em pouco tempo. Outros não tem muito a dizer. Mesmo assim, é impressionante a quantidade de conteúdo criado pelas pessoas. Eu por exemplo me mantenho informado sobre publicidade, planejamento e tendências apenas através de blogs. Isso nos leva a crer que em pouco tempo a atividade de blogueiro poderá ser considerada uma profissão.

No livro null, a badalada pesquisadora americana de tendências Faith Popcorn afirma que em 2015 mais da metade da população estará trabalhando em profissões que hoje não existem. Segundo ela, habitarão o mundo dos negócios, por exemplo, os "sussurradores", profissionais especializados em lidar com consumidores enraivecidos e cada vez menos tolerantes aos deslizes das empresas. Como o próprio nome sugere, há no livro de Faith uma dose de exercício de futurologia. A análise de muitos movimentos sociais e econômicos que estão acontecendo hoje, porém, já aponta de maneira mais tangível o surgimento de carreiras cuja valorização se intensificará nos próximos anos.

Thursday, June 28, 2007

26ª questão - Como ser um bom líder?

Enviei um e-mail para o pessoal da agência em que trabalho mas que gostaria de compartilhar com todos. Recentemente o dono da agência passou por uma situação muito difícil, perdendo a esposa que viveu junto dele durante 44 anos. Apesar disso, manteve sua força interior e atitude que nos serviram como exemplo. São pessoas assim, que fazem você realmente se sentir orgulhoso de trabalhar junto delas. Abaixo segue o e-mail:

"Ouvi ontem no rádio a história de como um presidente pode moldar a cultura de uma empresa. Não lembro bem o nome do executivo nem da companhia aérea, mas assim que assumiu o cargo de CEO apareceu uma viagem inesperada para fazer. Como não tinha reserva nem nada, o único lugar disponível era na classe econômica. A tripulação do avião quis trocá-lo de lugar, afinal era o presidente da empresa. Mas ele educadamente recusou. Disse que iria ficar ali mesmo, pois todos outros passageiros pagaram pela viagem. Quando as aeromoças levaram revistas e bebidas, novamente ele recusou. Pediu que servissem primeiro os outros antes dele. O exemplo que ficou para os funcionários da companhia foi bem claro. A partir dai, a missão da empresa tinha como objetivo focar no comprometimento e satisfação dos clientes. Mais do que apresentações ou discursos transmitindo os valores que devem ser seguidos, seu exemplo foi muito mais forte e eficiente.


Aqui na Pande todos sabem da difícil situação que a família do Seu Fernando está vivendo. Apesar disso, penso que também tivemos um forte exemplo que serve para nos inspirar em nossas ações do dia a dia. O Seu Fernando ligou todos os dias do hospital, perguntando sobre o andamento da empresa e além disso, viria ontem participar de uma reunião com cliente. Desculpem minha pretensão, mas o que vejo como lado bom disso tudo é que mais do que nunca, estamos reforçando os valores da Pande e que fazem uma empresa ter alma.

As lições que tirei com o exemplo do Seu Fernando são:
1) valorizar a família e ficar sempre do lado das pessoas que se ama e que te amam
2) estar realmente comprometido com a empresa, vejo isso mais do que apenas a busca de resultados ou crescimento da empresa, mas sim um sinal de respeito com todos que trabalham aqui
3) se preocupar com os clientes fazendo de tudo para atendê-los da melhor forma possível

Já escrevi demais e acho que consegui transmitir o que penso. Vou voltar ao trabalho pois como todos sabemos, é do couro que se faz a correia."

Monday, June 25, 2007

25ª questão - O que os estudantes não aprendem na escola?

Aqui estão alguns conselhos que Bill Gates recentemente ditou durante uma conferência em uma escola secundária sobre 11 coisas que estudantes não aprenderiam na escola. Ele fala sobre como a "política educacional de vida fácil para as crianças" tem criado uma geração sem conceito da realidade, e como esta política tem levado as pessoas a falharem em suas vidas posteriores à escola.
Muito conciso, todos esperavam que ele fosse fazer um discurso de uma hora ou mais. Ele falou por menos de 5 minutos, foi aplaudido por mais de 10 minutos sem parar, agradeceu e foi embora em seu helicóptero a jato ...

Regra 1
A vida não é fácil acostume-se com isso.

Regra 2
O mundo não está preocupado com a sua auto-estima.
O mundo espera que você faça alguma coisa útil por ele ANTES de sentir-se bem com você mesmo.

Regra 3
Você não ganhará R$ 20.000 por mês assim que sair da escola.
Você não será vice-presidente de uma empresa com carro e telefone à disposição, antes que você tenha conseguido comprar seu próprio carro e telefone.

Regra 4
Se você acha seu professor rude, espere até ter um Chefe.
Ele não terá pena de você.

Regra 5
Vender jornal velho ou trabalhar durante as férias não está abaixo da sua posição social.
Seus avós têm uma palavra diferente para isso: eles chamam de oportunidade.

Regra 6
Se você fracassar, não é culpa de seus pais.
Então não lamente seus erros, aprenda com eles.

Regra 7
Antes de você nascer, seus pais não eram tão críticos como agora.
Eles só ficaram assim por pagar as suas contas, lavar suas roupas e ouvir você dizer que eles são “ridículos".
Então antes de salvar o planeta para a próxima geração querendo consertar os erros da geração dos seus pais, tente limpar seu próprio quarto.

Regra 8
Sua escola pode ter eliminado a distinção entre vencedores e perdedores, mas a vida não é assim. Em algumas escolas você não repete mais de ano e tem quantas chances precisar até acertar. Isto não se parece com absolutamente NADA na vida real.
Se pisar na bola, está despedido, RUA !!!
Faça certo da primeira vez.

Regra 9
A vida não é dividida em semestres.
Você não terá sempre os verões livres e é pouco provável que outros empregados o ajudem a cumprir suas tarefas no fim de cada período.

Regra 10
Televisão NÃO é vida real.
Na vida real, as pessoas têm que deixar o barzinho ou a boate e ir trabalhar.

Regra 11
Seja legal com os CDFs (aqueles estudantes que os demais julgam que são uns babacas).
Existe uma grande probabilidade de você vir a trabalhar PARA um deles.

Saturday, June 23, 2007

24ª questão - Quanto vale seu trabalho?

Que tal postar seu trabalho e saber a avaliação de outras pessoas? Interessante não? Eu pelo menos achei. Por isso, resolvi fazer outro blog onde todo mundo possa dar notas e fazer comentários sobre os trabalhos postados. Iniciei com três projetos de agências conceituadas no segmento de design de embalagens. A intenção é fazer um panorama e avaliar o que está sendo feito de interessante no mercado. Para visitar e dar sua nota é só entrar em: http://designrate.blogspot.com

Tuesday, June 19, 2007

23ª questão - O que o Joost tem em comum com a época medieval?

O Joost é aquela TV via internet criada pelos fundadores do Skype e Kazaa. Serve para assistir vídeos em streaming assim como o YouTube. Sua diferença segundo a imprensa, é que o Joost é uma versão mais profissional, com a programação das grandes redes de TV americana. Durante algum tempo existiu uma versão BETA no ar, sendo restrito apenas para um grupo seleto de usuários. Para dar um ar de exclusividade, esses usuários possuíam poucos convites para distribuir entre seus amigos. Dessa forma, criou-se um círculo restrito e segmentado elevando o valor em acessar o Joost. Houve até casos de convites serem utilizados como premiação em alguns sites.

Durante a Era Medieval no período das grandes cortes, praticava-se o direito de nascença para fazer parte de determinados círculos sociais. O que contava era o seu título de nobreza, importando mais a família de onde você nasceu do que o dinheiro. Isso só veio a mudar com o enriquecimento da burguesia, que passou a comprar títulos e dessa forma frequentar e pertencer ao ambiente antes reservado apenas para os nobres.

O interessante nesses dois fatos é analisar a busca constante do ser humano em se distinguir, pertencendo a uma esfera social que dê e reforce sua identidade. Essa forma de distinção pode ser feita basicamente de 3 formas: financeira (quanto eu ganho), intelectual (o quanto eu sei) e social (quem são meus amigos). A utilização de recursos que controlem tanto a restrição quanto a exclusividade, sempre foi um fator fundamental para tornar algo mais valioso e desejado. Seja na época da Rainha Vitória, seja na época de Niklas Zennström e Janus Friis.

22ª questão - Estamos "abrasileirando" a internet?

Saiu no site do Valor Econômico a notícia de lançamento da versão do YouTube no Brasil:

//SÃO PAULO - O YouTube, site de distribuição de vídeos do Google, lançou hoje versões locais em nove países, o Brasil entre eles. O objetivo da empresa é adaptar completamente o site para cada país em que ele é utilizado. Com isso, o Google espera aumentar o tráfego de usuários e o faturamento com publicidade.

"Acreditamos que o YouTube localizado criará um bom ambiente para publicidade e para anunciantes, já que o conteúdo e os próprios anúncios poderão ser mais focados no interesse dos usuários", disse o executivo-chefe do YouTube e seu co-fundador, Chad Hurley. Segundo ele, um dos principais pontos dessas novas versões é acompanhar o que faz o Google, controlador do site, que sempre busca melhorar a relevância da publicidade que chega ao usuário.//

Atualmente as empresas buscam regionalizar e atender melhor os nichos de mercado. Parece que com a globalização houve um movimento inverso da pasteurização de conteúdo, cada vez mais existem ações de valorização das culturas locais e reforço de nossas identidades.

Friday, June 15, 2007

21ª questão - Como usar o design para beneficiar a sociedade?

Meu trabalho de conclusão da faculdade de Desenho Industrial, teve como tema a produção de uma revista de variedades priorizando o lado social. Naquela época eu era extremamente idealista, tendo como objetivo cumprir meu papel não só como designer, mas como cidadão. Queria utilizar meu trabalho de forma útil à sociedade e fazer minha parte em construir um país melhor para as futuras gerações.

Uma das minhas inspirações mais fortes foi a reedição em 2000 do manifesto "Things First Things", que foi inicialmente publicado em 1964. Este foi um documento que designers gráficos britânicos assinaram, repreendendo colegas por terem esquecido os antigos idealismos e perdido de vista as coisas que são realmente importantes.

Foi com esse espírito que iniciei a procurar pessoas no Brasil, que tivessem algum projeto semelhante ao da "The Big Issue" (ver post da 17ª questão). Acabei encontrando um grupo ainda em formação, com muitos sonhos e objetivos mas com uma escassez absoluta de recursos. Conheci pessoas maravilhosas e que até hoje lutam para tornar o Brasil um país mais justo e decente. Acompanhei durante dois anos esse projeto, desenvolvendo os primeiros projetos gráficos e identidade visual da revista. Com grande satisfação, pude ver esse sonho se transformar em realidade. Em julho de 2002 foi lançada a primeira edição da revista Ocas. Nessa época já não estava fazendo parte da equipe, mas não deixo de ter muito orgulho da minha contribuição com o projeto.

Apesar de estar nas ruas a mais de 5 anos e ter transformado positivamente a vida de vários moradores de rua, a revista ainda sobrevive da boa vontade dos voluntários e com recursos escassos. Venho aqui fazer um apelo para os designers que quiserem ajudar nessa causa, entrarem em contato comigo a fim de não deixar morrer esse projeto. A revista necessita de voluntários que possam cuidar da diagramação das matérias, tendo a intenção e responsabilidade de assumir o trabalho por um longo período.

Outras formas de ajuda também são válidas, como captação de patrocinadores ou anunciantes. Para saber mais do projeto basta acessar o site: www.ocas.org.br e tirar todas dúvidas a respeito. Agradeço a todos que tiverem interesse. Pensem sempre no poder que temos como designer para mudar o mundo. Pode ser utópico e sonhador, mas sem sonhos, que graça a vida tem?

Thursday, June 14, 2007

20ª questão - Você acha que é mais pobre de tempo ou de dinheiro?

Essa foi uma das perguntas feitas por Paco Underhill em sua palestra realizada ontem na ESPM. Após alguns instantes deixando a platéia pensar sobre o assunto, ele mesmo deu a resposta: tempo. Acredito que assim como eu, a grande maioria dos presentes também pensou na mesma resposta.

Para quem não conhece, Paco Underhill é um dos mais respeitados consultores da área de varejo. Geralmente é intitulado como geógrafo urbano e antropólogo do varejo, sendo considerado o fundador da ciência de compras. Está de visita no Brasil, onde possui uma filial de sua empresa Envirosell e presta
consultoria para grandes redes de varejo como o Pão de Açúcar.

Sua palestra teve um tom bastante questionador com frequentes perguntas como: Com quem você está comunicando? Quem está olhando para onde? E para onde ele enxerga? O que faz uma mulher entrar em uma loja? O que é global e o que é local?

Apresentou diversas tendências de consumo, muitas delas podem ser vistas com detalhes no site Trendwatching, dando um panorama global sobre novos padrões de comportamento e consumo. Um de seus ensinamentos foi de sempre procurar refletir os hábitos de nossos consumidores. Duas mudanças me chamaram a atenção, uma é a queda do uso de carrinhos de supermercados. A outra é que 10% a 15% das pessoas saem dos supermercados sem comprar nada. Isso acontece porque não encontraram algum item essencial de sua lista de compras. Preferem sair sem nada e comprar toda sua lista onde possam encontrar todos produtos que necessitam.

O Japão possui um lugar de destaque nesse cenário. O que não falta são exemplos inovadores: lojas em Harajuku, onde roupas usadas disputam o gosto dos adolescente com marcas como a Diesel;
a Three Minutes Happiness com o conceito de vender apenas amostras de produtos e a Ranking Ranqueen que já filtra os itens mais vendidos de algumas categorias, facilitando a vida dos consumidores.

Um dos melhores momentos, foi uma analogia com vitrines que serve
quando um cliente nos pede para colocar mais elementos no layout ou aumentar o logo. "Os lojistas finalmente começaram a perceber que se dois letreiros é bom, não quer dizer que vinte e sete terão melhor resultado. Em outras palavras, bastam duas aspirinas para curar uma dor de cabeça. Vinte e sete não te transformarão no Homem-Aranha. A resposta é trabalhar com menos vitrines e melhor exposição."

Espero que esse post tenha trazido alguma informação útil e relevante para quem leu. Afinal, se aqui eu não falo como ganhar dinheiro, pelo menos espero conseguir tornar mais rico o tempo de vocês.

19ª questão - Você sabia que fazemos kula o tempo todo?

Quer dizer, não fazemos kula no sentido exato do termo. Mas de certa forma estamos fazendo uma espécie de kula quando consumimos algo.

O kula é um sistema intertribal de trocas praticado na Melanésia e existente ainda hoje, envolvendo transações locais em todo o arquipélago. Colares e braceletes de conchas são oferecidos com um certo intervalo de tempo, percorrendo depois um mesmo circuito fechado, mas em sentido inverso. Após certo período, os objetos recebidos são repostos em circulação; seu valor reside na continuidade da transmissão. A posse provisória fornece prestígio e renome.

Estudando outras culturas percebemos que não é apenas na nossa sociedade que os produtos servem para distinguir uma pessoa da outra. Sempre existe uma dimensão simbólica por trás de atos aparentemente funcionais. Esta dimensão orienta a troca, que é também uma forma de consumo. O importante é analisar o que chamamos de consumo nos dias de hoje como troca simbólica.

Uma das ferramentas mais importantes para essa análise, é a antropologia voltada para o estudo do consumo. Esta disciplina enxerga o consumo como um processo, estudando suas relações sociais frente um produto (compra e uso). Virei um grande fã dessa forma de se olhar para o consumo, pois estuda-se os seus aspectos mais profundos e simbólicos. Deixamos de lado as análises superficiais e entramos a fundo nas reais motivações e desejos das pessoas.

Sem dúvida para quem trabalha com comunicação e marketing, torna-se fundamental conhecer mais sobre esse assunto. A cada dia surgem notícias sobre novos paradigmas, novas formas de se comunicar com os consumidores, necessidade de reinventar os modelos de negócios, etc...No fundo, será que as pessoas mudaram tanto assim? Ainda não somos movidos pelas mesmas motivações de nossos pais e avós? Talvez por trás de atos "modernos" como escrever um blog, participar de comunidades virtuais, publicar um fotolog, as razões que nos movem são coisas que os seres humanos buscam a muito tempo: reconhecimento, vaidade e necessidade de divulgar suas idéias. O que mudou hoje em dia foi a forma e o acesso, afinal expor o que pensamos ao mundo tornou-se extremamente democrático.

Tuesday, June 12, 2007

18ª questão - Como fazer apresentações eficazes?

Hoje devo ter feito uma das piores apresentações da minha carreira. Poucas vezes tive um feedback tão negativo de um trabalho. Tudo começou quando um cliente nos procurou solicitando um projeto de internet. Seu principal objetivo era receber propostas e sugestões de melhorias para o site.

Trabalho com internet desde 2000, iniciando nessa área na antiga agência de publicidade Lowe Lintas, atual Borghehr/Lowe. Com o passar do tempo, mudei algumas vezes de agência sempre em busca de melhores oportunidades, passando pela DM9, Agência Click, Pop Com (ex-agência de internet da W/Brasil) até que resolvi entrar de sociedade em uma agência de internet.
Nessa agência cheguei a fazer duas propostas de internet para a FIAT através da Leo Burnett. O detalhe é que foram concorrências internacionais para o lançamento de dois carros da FIAT italiana. Apesar de não ganharmos, nossa proposta foi muito elogiada, principalmente pelo pensamento estratégico e criatividade na integração de mídias.

Achei importante fazer esse parênteses, para contextualizar o desastre da apresentação de hoje. Com essa experiência e bagagem adquirida durante minha carreira, comecei a planejar e montar o escopo da proposta. Segui todos passos para um projeto de internet, fazendo o diagnóstico, análise, diretrizes, mapa do site, estudo das ferramentas, funcionalidades, etc...
Além do que foi pedido no briefing, ainda apresentamos como pró-atividade a estratégia de divulgação, formas de mensurar os resultados do site e um estudo sobre os motivos de se investir numa comunidade online.

Tudo bem estruturado, embasado tecnicamente e com o discurso na ponta da língua. Uma apresentação dessas só poderia ser um sucesso com o cliente, certo? Bem, nem sempre as coisas acontecem como esperamos. Às vezes se concentrar nos detalhes e foco no que realmente interessa para o cliente, vale muito mais do que um projeto "diferenciado e moderno". Praticamente toda apresentação foi influenciada por uma falta de atenção que cometemos. O problema é que esse ponto específico foi constantemente levantada na reunião de briefing. Apesar disso, acabamos tratando superficialmente um ponto fundamental. O lado bom, já que não adianta ficar se lamentando é que pelo menos tive uma grande lição e ainda rendeu assunto para um post.

Respondendo a questão do título, acredito que mesmo se tivesse sido eficiente em todos pontos da apresentação, não era isso que iria salvá-la. Eu não deveria ter me preocupado tanto em fazer tudo certo e sim em ser eficaz. Ou seja, fazer a COISA certa.