Sexta-feira passada visitei a recém-inaugurada loja-conceito da Procter & Gamble no Shopping Market Place. Como o próprio nome diz, 'Procter 5D Experience', trata-se de uma ação para oferecer aos consumidores uma experiência com a marca em através dos 5 sentidos.
“São diversas atrações tecnológicas como telas touch screen, iluminação especial, efeitos de realidade virtual – e será separado por nichos das marcas P&G, tais como Pringles, Pampers, Hipoglós e Vick, Duracell, Olay, Ariel, Koleston, Pantene, Naturella, Head & Shoulders, Always, Oral-B e Gillete. A ideia é reproduzir e aprofundar a experiência com as qualidades inerentes aos produtos. No espaço de Pringles, por exemplo, cujo mote é “Pringles vai ter a sua cara”, um aplicativo vai reproduzir uma foto do visitante no lugar do Sr. Pringles, e esta será aplicada no rótulo de uma lata que poderá ser levada para casa.“
A previsão da loja é ficar até dezembro, funcionando nos horários normais do shopping. Algumas idéias são muito boas (Pringles, OralB, Ariel e Pantene) pois são interessantes e conseguem estabelecer um vínculo entre os consumidores e as marcas. Outras idéias não possuem tanta força, pois o link entre a experiência e a marca é um pouco mais distante (Duracel, Naturella). Como um todo, a experiência que fica é bem positiva, no mínimo, divulgando as marcas de uma forma bem atrativa.
Daqui a poucas horas vamos conhecer um novo campeão mundial de futebol. Holanda e Espanha decidirão quem fica com o privilégio de estampar em suas camisas a estrela que simboliza tal feito. Com isso, mais uma Copa do Mundo entra para história, restando os momentos de emoção, tanto alegrias quanto tristezas, que vivenciamos durante esse período.
Fora das quatro linhas, um fato me chamou bastante a atenção. Não imaginei que um esporte considerado sempre tão popular e democrático, pudesse ter alguma relação com uma marca de luxo. Foi esse paradigma que a Louis Vuitton rompeu com suas ações para Copa do Mundo.
Acredito que uma das primeiras perguntas, deva ter sido como representar através do futebol, toda exclusividade e sofisticação da marca? A solução, óbvia depois que executada, e consistente com a comunicação, foi seguir o conceito da campanha ´Jorneys´ reunindo os grandes ícones e lendas desse esporte: Pelé, Maradona e Zidane. O local escolhido para esse encontro foi um bar madrileno, onde os três estão em volta de uma mesa de pebolim e bolsas da griffe. Tudo retratado com o já tradicional padrão estético apurado das campanhas Louis Vuitton.
Além disso, também foram desenvolvidas ações para internet, como a votação de quem iria ganhar a partida de pebolim, bem como um site que fortalece ainda mais a "aura" de uma marca de produtos excepcionais feita para pessoas excepcionais. Os deslizes das vidas pessoais de Pelé, Maradona e Zidane ficam em segundo plano. O que interesssa são o que eles representam e fizeram dentro do esporte. É inegável a importância de cada um, e o fato de que são, verdadeiras lendas vivas.
Voltando ao início do post, qual o símbolo máximo de uma Copa do Mundo? O que apenas um dos dois, holandeses ou espanhóis terão a honra de levantar? Lógico. A taça de campeão. E onde mais um objeto tão desejado e exclusivo poderia ser guardado, se não na"FIFA World Cup Trophy Case" by Louis Vuitton? Genial.
Realmente o amor está no ar. Mais especificamente no ar dos intervalos da TV. Duas marcas com posicionamentos totalmente diferentes mas com algo em comum.
Ter blog exige dedicação e tempo. Nem sempre conseguimos atualizá-lo da forma como gostaríamos. De qualquer forma, a vantagem em ter um blog é a ´cobrança´ de estar sempre antenado e pesquisar muito. Tarefa essa, que não deixa de fazer parte de nosso trabalho, ainda mais na área de planejamento.
Aqui vão os links mais interessantes, em ordem aleatória, que li essa semana:
A great interview with Marty Neumeier, president of Neutron LLC. He talked your vision about the disconnect between what designers wanted to do and what the marketplace really needed - what businesses needed. Beside this, there are a lot of ideas and concepts to think about. Tip from Adaptive Path Blog.
Não importa qual geração você faça parte: Boomers, Tweens, Millenialls, Gen Y, Generation G, etc... De uma forma ou outra, todos acreditam que mudaram ou vão mudar o mundo. Sentimento extremamente forte e inspirador. É natural que toda geração acredite ser diferente e especial da anterior, inclusive é isso que incentiva as mudanças e quebras de paradigmas.
Posso não ter entendido direito a mensagem do comercial, mas fiquei com a sensação de que fazemos as mesmas coisas do passado. Apenas deixando as coisas um pouco mais "moderninhas", ou seja, o refresh do slogan da campanha. Antigamente pichar o símbolo da paz era um sinal de protesto e luta por um ideal, hoje faz parte da estética grafite da arte na rua. Pelo menos de minha parte, não gostei das associações que fizeram entre as gerações. Existem diversos valores, mudanças de comportamento e atitudes que são mais emblemáticos para retratar o "refresh" entre as gerações. Lógico que isso do ponto de vista sociológico e antropológico. Talvez como publicitário, teria feito a mesma coisa, pois esteticamente essas situações são perfeitas para fazer o link visual entre uma geração e outra.
Esse comercial é dica do Hugo que trabalhou comigo na Pande.
Para entender porque a marca Louis Vuitton vale quase 3 vezes mais do que a segunda colocada, um dos caminhos, é acompanhar a coleção que chegou as lojas no dia 9 de Janeiro. Esta coleção é uma homenagem ao estilo grafitti de Stephen Sprouse, transportando novamente o visual "street/rock and roll" para o universo do luxo. Combinação esta, que já foi utilizada em 2001, causando um verdadeiro furação no mundo da moda com a série Graffiti Bags. Essa série foi responsável pelas maiores listas de espera da história da grife. O que era então um símbolo de luxo intocável, ganhou ares subversivos e extremamente cool. Esta foi a porta de entrada para futuras parcerias entre o estilista Marc Jacobs da Louis Vuitton, com artistas como Takashi Murakami, Bob Wilson, Julie Verhoeven e Richard Prince. Graças a ações como essas, a grife conseguiu se afastar do ar decadente associado às emergentes de Miami, e ganhar um ar mais sofisticado para atrair mulheres modernas e descoladas que se identificam com o seriado "Sex and the City". Para fortalecer o conceito da coleção e potencializar ainda mais a marca como símbolo de luxo, foram desenvolvidos 3 skates (edição limitadíssima), à venda apenas na loja Louis Vuitton do SoHo. Junto ao grafiti de Sprouse no skate, você ainda leva uma caixa com o famoso monograma da marca para transportá-lo. O preço por esse "mimo" é de U$ 8,250, sendo que os lucros dessas vendas serão revertidos para a ong Free Arts NYC. Mais do que nunca o "objeto fetiche" de Jean Baudrillard se faz representado.
Agora caso sua preferência seja por algo menos "fútil" e goste mais de "arte e cultura", até o dia 28 de Fevereiro é possível conferir a retrospectiva da arte de Stephen Sproose na Deitch Project's em Nova York. O interessante é pensar no juízo de valor que utilizamos para definir o que é luxo e o que é fútil. Ir para NY comprar uma bolsa ou visitar um museu tem tanta diferença assim? Embora existam diferenças óbvias, a finalidade de ambas pode ser considerada uma demonstração de status.Ter ou saber mais do que alguém denota uma certa superioridade. No final das contas, a vaidade pode ser satisfeita tanto pelo consumo de bens quanto de conhecimento...
Alguns anos atrás quando morei no Japão, conheci uma marca até então desconhecida para mim e comprei algumas peças de roupas. Naquela época, ainda não tinha o hábito de acompanhar as últimas tendências e os movimentos relacionados a experiência de marca. Com o tempo, descobri que esta marca é muito mais interessante do que eu imaginava. Neste ano ganhou o Titanium Lions com uma estratégia de comunicação na internet muito inteligente. Inclusive escrevi a respeito em um post de junho. Sim, trata-se da Uniqlo. A última ação que eles fizeram foi uma associação com o Corteo (novo show do Cirque du Soleil feito para comemorar seu 25º aniversário). Foi desenvolvido um maravilhoso site chamado Uniqlo meets Corteo, em que os integrantes do Cirque du Soleil vestem as roupas da Uniqlo enquanto se preparam para o show. O site cumpre excepcionalmente bem seus objetivos, tanto de causar impacto visual quanto proporcionar uma rica experiência com a marca. No lugar de vestir algo para expressar nossos valores e identidade, temos agora um modelo com o que queremos nos identificar e acreditar para vestir. Uma pequena inversão de sentido, porém que faz toda diferença.
Hoje é dia do tradicional Buy Nothing Day, campanha realizada todo ano pela ong Adbusters. A proposta é interessante e levanta algumas reflexões a respeito do tema consumo. Caso queira participar ou saber mais a respeito, basta entrar no site: www.adbusters.org
A Podravka é uma empresa originária da Croácia e que atua nos segmentos de alimentos, bebidas e também no setor farmacêutico. Dentre suas principais marcas estão a Vegeta, Cokolino e a Lino. Confesso que não conhecia nenhuma delas. Apesar disso, sempre é bom descobrir que existe design (e dos bons) fora do tradicional eixo EUA, Inglaterra e Japão.
Prova disso, é o ouro do Relatório Anual da Podravka na categoria design do London International Awards. Foram desenvolvidos dois livros, sendo que o menor fica dentro do maior. O maior cumpria o tradicional papel de um RA, ou seja, a divulgação de números e resultados financeiros. Já o livro menor remete aos livros de receita, associando a marca diretamente com o mundo da cozinha. O interessante foi a utilização de tinta termoativa. Somente é possível ler o que está escrito, depois de aquecê-lo por 25 minutos a uma temperatura de 100ºC. Com isso as páginas do livro são preenchidas com as palavras e onde antes era um prato vazio torna-se um prato com comida. Bem executado, fortalece os valores da marca e ainda por cima, ganha prêmio. O sonho de toda agência.
Aproximadamente 7 meses atrás, participei de um projeto de branding para uma nova marca de motos. Foi um projeto realizado entre a Top Brands e a Pande, tendo como cliente a Microservice. Nessa época, eu estava trabalhando na Pande e tive a oportunidade de contribuir para construir essa nova marca. Posso dizer que o processo de naming, do qual estive diretamente envolvido, foi bastante desgastante. Foram pesquisadas diversas fontes, como por exemplo, nomes mitológicos, célticos, bárbaros, gregos, dragões, tribos indígenas, nórdicos, etc... No total foi gerado uma lista de 452 nomes que foram analisados um a um e selecionados de acordo com diversos filtros. O processo de seleção para os nomes mais adequados, foi realizado através de critérios técnicos e objetivos, evitando-se nesse momento a escolha por preferência e gosto pessoal. Após a análise de questões como fonética, pronúncia, similaridade, registro, entre outros itens, finalmente chegou-se aos 5 nomes que foram apresentados ao cliente. Estes representavam e transmitiam de forma mais eficiente o espírito e posicionamento da marca. Tanto o nome quanto a marca escolhida, vocês podem ver no anúncio abaixo. Por parte da Top Brands, créditos para o Guilherme e Valerie, e na Pande para o Ronnie, Peterson, Hugo e Marina.
Este ano em Cannes, o Leão da categoria de design foi para reformulação da identidade visual da Coca-Cola. Não demorou muito para ser considerado uma tendência e outras marcas também trilharem o mesmo caminho. Inclusive seu maior rival histórico, a Pepsi, que tem um vídeo mostrando a evolução de sua marca. O difícil é não lembrar das embalages de Kuat...
Uma das lojas mais interessantes que descobri ultimamente foi a Bullseye Bodegas de NY. Oferece diversos produtos com bom design a preços acessíveis. Vale a pena conhecer mais a respeito.
Interessante o conceito da loja japonesa Muji. Seu nome vem das letras em japonês para algo que pode ser traduzido como "sem marca". Ela é famosa pela simplicidade e bom design, passando por roupas, mobiliário, eletrônicos, etc... Tudo vendido sem nenhuma marca ou etiqueta. Conceito paradoxal, afinal a marca Muji é uma marca com posicionamento de não-marca? Lembrou-me a mesma questão sobre capa do livro No Logo da Naomi Klein...
Esse vídeo é uma palestra do Seth Godin, autor de "All marketers are liars" entre outros livros. Ótima sugestão para quem não foi viajar nesse feriado.
Nesse sábado fiz uma palestra na Faculdade Belas Artes com o tema Embalagem. Espero que os alunos tenham gostado. Procurei usar muitas imagens, exemplos de embalagens bem atuais e mostrar a relação de tendências com design. Adorei a oportunidade de fazer essa palestra. Como disse durante a apresentação, fiquei feliz por dois motivos. O primeiro é o aprendizado e troca de experiências que proporciona. Segundo, que sempre é bom saber o interesse crescente dos designers em conhecer mais a respeito de branding.