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Friday, November 28, 2008

114ª questão - Buy or not to buy?

Hoje é dia do tradicional Buy Nothing Day, campanha realizada todo ano pela ong Adbusters. A proposta é interessante e levanta algumas reflexões a respeito do tema consumo. Caso queira participar ou saber mais a respeito, basta entrar no site: www.adbusters.org

Wednesday, August 13, 2008

96ª questão - Qual o limite entre censura e direitos autorais?

Logo após a abertura das Olimpíadas, surgirem no Youtube diversos vídeos com o sensacional espetáculo que os chineses apresentaram. Porém tão rápido quanto os vídeos surgiram, eles começaram a ser retirados do ar. Quem não assistiu na TV ao vivo ou nas reprises, dificilmente vai conseguir assistir pela internet. Pelo menos, até o momento.

Provavelmente o governo chinês não ter nada a ver com isso. Afinal, qual a vantagem em tirar do ar "a melhor abertura de olimpíadas de toda a história"? O fato, é que torna-se difícil não associar isso a política autoritária e de censura da China. Ainda mais com campanhas como essa da Anistia Internacional.




Monday, April 07, 2008

78ª questão - Qual o grande assunto da semana?

Quando acessei hoje o YouTube encontrei algo que me chamou bastante a atenção. Entre os 20 vídeos mais vistos da semana, 16 são a respeito do caso Isabella Oliveira Nardoni. A grande maioria dos brasileiros deve estar de uma forma ou outra acompanhando o caso. Esse assunto foi capa das principais revistas semanais, matéria em jornais, além de ser destaque no Fantástico, Jornal Nacional e praticamente todos telejornais.

Interessante observar a comoção nacional e interesse das pessoas em acompanhar o assunto. Já surgiram diversas manifestações de apoio e de revolta contra a violência infantil. Engraçado como parece que já vimos essa mesma história antes. De novo ocorre uma catarse coletiva, onde todos parecem hipnotizados por um assunto considerado "importante". No final das contas, em pouco tempo esquece-se o que aconteceu. Todos ficam aguardando ansiosamente o próximo "grande acontecimento".

Não quero dizer que foi algo sem importância ou não deva ser tratado com seriedade. Mas será que além dos parentes e amigos da vítima, esse assunto é realmente tão relevante? Como observou T. H. Marshall em outro contexto, quando muitas pessoas correm simultaneamente na mesma direção, é preciso perguntar duas coisas: atrás de que e do que estão correndo?

Realmente entender os consumidores é uma tarefa bem complexa. As mesmas pessoas que se emocionam com uma tragédia como essa, são as que também vão ao supermercado escolher entre um suco light ou com soja. Estamos indo atrás do que quando optamos por um suco light? Que necessidades acompanhar uma tragédia como essa nos supre?

Friday, March 14, 2008

71ª questão - Para que você precisa de embalagens?

Saiu no blog Empresa verde da Época Negócios:

"Caixa Verde: clientes saem do supermercado sem embalagem do produto

Que tal ir ao supermercado e, em vez de sacolas cheias de embalagens geralmente dispensáveis, levar para a casa somente o necessário? É o que a rede
Pão de Açúcar está propondo a seus clientes com a criação do Caixa Verde. A idéia é que o consumidor compre, por exemplo, um creme dental e se desfaça da caixinha de papelão antes de sair da loja. O Rio de Janeiro é a primeira cidade a receber a versão final da ação, que tem como objetivo estimular os consumidores a reciclar embalagens."

Interessante essa ação que estimula os consumidores a reciclar as embalagens antes mesmo do consumo do produto. Pelo jeito, a tendência é cada vez mais as embalagens tornarem-se efêmeras, servindo realmente como um anúncio publicitário. É importante ficar atento a esses movimentos, pois com certeza essa mudança de paradigma não é algo passageiro.

Thursday, January 03, 2008

50ª questão - Você quer a dieta de 600 ou 1200 calorias?

Após um breve período de férias volto aqui para escrever o primeiro post de 2008. O local escolhido para um merecido tempo dedicado ao ócio foi um spa. Aliás descobri que a origem da palavra ócio vem do grego "skolé", que em português significa escola. É o tempo livre onde se aprende, onde se usufrui da vida, da existência; por isso se diz que a Filosofia, a Arte e a Ciência são originárias da escola e portanto filhas do ócio. Este tempo sagrado interrompido pela necessidade de trabalhar pelo sustento, sendo portanto negado, deu origem a palavra “negócio” que vem do latim "necotium" não-ócio.

Voltando a falar da minha estadia no spa, posso dizer que foi uma experiência bem interessante. Ainda mais, quando uma das primeiras perguntas que fazem é se você prefere as refeições de 600 ou 1200 calorias. Após o impacto inicial acaba-se acostumando, sendo que no final estava achando normal nas minhas prometidas férias relaxantes, ter que fazer uma avaliação do meu índice de gordura.

Fica fácil cair em clichês quando se fala em spas. Ainda mais quando na atividade de caminhada pelas redondezas, passamos por uma família moradora da região e de origem humilde. É quase impossível não fazer alguma observação sobre enquanto de um lado tem gente que anda 7 km para trabalhar, de outro existem pessoas que pagam caro para andar a mesma distância por livre e espontânea vontade. E nesse valor ainda estão inclusas refeições sem tempero servidas em pequenas porções. Interessante observar como os símbolos de status vão mudando conforme os tempos.

Depois de passar pelas sociedades agrícolas e industriais, vivemos atualmente a sociedade da informação. Época essa onde a demanda por esforços físicos caiu drasticamente e muitos trabalhadores tornaram-se sedentários. O que antes era realizado como atividade produtiva, hoje em dia tornou-se uma forma de exercitar a vaidade e o individualismo. Cada vez mais temos consciência do nosso corpo e da importância em cuidar de sua manutenção. Apesar dessa tendência estar muito forte hoje em dia, já se falava em regimes alimentares desde 1825. Brillat-Savarin escreveu um livro chamado A fisiologia do gosto onde restringe o consumo de biscoitos, bolos, batatas e macarrão. O mais curioso foi sua reação aos críticos de seu livro: "- Muito bem: comam! Engordem! Fiquem feios, balofos e asmáticos; enfim morram em sua própria gordura derretida."

Temos hoje em dia, diversos recursos para cuidar de nossa saúde: spas, personal trainers, academias com tecnologia de última geração, yoga, pilates, alimentos orgânicos, diet, light, funcionais, etc...Muito desses itens podem ser apenas modismos passageiros. O que importa, é conseguir ver o que existe por trás desses modismos. Entender o significado dessa tendência em se cuidar e viver com mais qualidade de vida. O que realmente motiva as pessoas a buscarem uma vida saudável? É um fenômeno incentivado pela individualização de nossa sociedade? O culto ao corpo e estética é uma forma de fuga do auto-conhecimento? Bom, para responder essas perguntas só mesmo voltando ao spa e praticar o ócio em seu sentido original. Posso até não conseguir encontrar as respostas, mas sem dúvida é melhor usufruir da vida do que fazer negócio.

Friday, June 15, 2007

21ª questão - Como usar o design para beneficiar a sociedade?

Meu trabalho de conclusão da faculdade de Desenho Industrial, teve como tema a produção de uma revista de variedades priorizando o lado social. Naquela época eu era extremamente idealista, tendo como objetivo cumprir meu papel não só como designer, mas como cidadão. Queria utilizar meu trabalho de forma útil à sociedade e fazer minha parte em construir um país melhor para as futuras gerações.

Uma das minhas inspirações mais fortes foi a reedição em 2000 do manifesto "Things First Things", que foi inicialmente publicado em 1964. Este foi um documento que designers gráficos britânicos assinaram, repreendendo colegas por terem esquecido os antigos idealismos e perdido de vista as coisas que são realmente importantes.

Foi com esse espírito que iniciei a procurar pessoas no Brasil, que tivessem algum projeto semelhante ao da "The Big Issue" (ver post da 17ª questão). Acabei encontrando um grupo ainda em formação, com muitos sonhos e objetivos mas com uma escassez absoluta de recursos. Conheci pessoas maravilhosas e que até hoje lutam para tornar o Brasil um país mais justo e decente. Acompanhei durante dois anos esse projeto, desenvolvendo os primeiros projetos gráficos e identidade visual da revista. Com grande satisfação, pude ver esse sonho se transformar em realidade. Em julho de 2002 foi lançada a primeira edição da revista Ocas. Nessa época já não estava fazendo parte da equipe, mas não deixo de ter muito orgulho da minha contribuição com o projeto.

Apesar de estar nas ruas a mais de 5 anos e ter transformado positivamente a vida de vários moradores de rua, a revista ainda sobrevive da boa vontade dos voluntários e com recursos escassos. Venho aqui fazer um apelo para os designers que quiserem ajudar nessa causa, entrarem em contato comigo a fim de não deixar morrer esse projeto. A revista necessita de voluntários que possam cuidar da diagramação das matérias, tendo a intenção e responsabilidade de assumir o trabalho por um longo período.

Outras formas de ajuda também são válidas, como captação de patrocinadores ou anunciantes. Para saber mais do projeto basta acessar o site: www.ocas.org.br e tirar todas dúvidas a respeito. Agradeço a todos que tiverem interesse. Pensem sempre no poder que temos como designer para mudar o mundo. Pode ser utópico e sonhador, mas sem sonhos, que graça a vida tem?

Sunday, June 10, 2007

17ª questão - Quais as visões sobre o consumo?

Basicamente esse tema é tratado de duas formas. Uma vertente é essa associação negativa representada pelos seguintes pontos:
- perda da autenticidade nas relações sociais
- materialismo
- superficialidade
- ostentação

O consumo é tratado sob o aspecto da crítica social e moralidade, sendo algo fútil e superficial, Representando o mundo falso e inconseqüente. Uma fábula que ilustra bem isso é aquela velha história da cigarra que canta, gasta e consume, enquanto a formiga trabalha duro, poupa e produz. É uma verdadeira ode e elogio a produção. A produção é o sacrifício que nos engrandece enquanto o consumo é o prazer que nos condena.

Até por isso, fala-se muito em consumo consciente, consumo responsável, consumo através de uma causa social. Esse acaba sendo o outro pólo da visão do consumo. Sua visão positiva é sempre associada a consumir algo por uma causa nobre ou ato de cidadania. Exemplos não faltam, sendo um de seus representantes mais significativos a revista "The Big Issue".


Esta é uma causa nobre e que merece todo nosso respeito e apoio. A The Big Issue faz parte de uma ONG inglesa criada em 1991 que tem como principal objetivo, reintegrar os moradores de rua na sociedade, oferecendo a oportunidade de uma renda sustentável. Serve também como canal de comunicação e representação desse público.

Trata de diversos temas possuindo uma circulação semanal e um de seus objetivo é fazer as pessoas comprarem pelo conteúdo editorial e não apenas para ajudar os moradores de rua. Possui áreas bem interessantes, como o diário de um vendedor descrevendo seu dia-a-dia. Inclusive tive o prazer e oportunidade de participar, desenvolvendo os primeiros projetos gráficos de um projeto similar no Brasil. É uma revista com os mesmos objetivos da Big Issue chamada Ocas. Mais para frente, vou fazer um post comentando um pouco sobre esse projeto e minha experiência durante dois anos acompanhando o projeto da revista Ocas.

Thursday, April 05, 2007

9ª questão - O que é um tripalium?


Quando trabalhei no Japão uns 10 anos atrás como dekassegui fazendo salsichas, vivi um pouco da realidade de muitos brasileiros daqui. Em primeiro lugar não sabia ler nem conseguia me expressar direito na língua japonesa. No começo até coisas triviais como fazer compras no supermercado e cortar o cabelo eram um martírio. Sem ter uma boa fluência na comunicação com outras pessoas, por mais que me esforçasse nunca seria promovido a chefe de seção ou ganharia um cargo menos operacional.
Se o problema era esse, então por que não estudei japonês?
Para cumprir meu objetivo de voltar em um ano com a quantia necessária, em média trabalhei 12 horas por dia. Houve semanas que cheguei a trabalhar 16 horas todos dias. O trabalho embora não fosse muito pesado, exigia um grande esforço físico e não sobrava muito tempo para descansar. Quanto mais aprender japonês!!
Conheci pessoas aqui no Brasil com o mesmo problema. Por mais que saibam que é necessário estudar inglês e informática para melhorar o currículo, muitas vezes essas tarefas se tornam extremamente árduas. Acaba-se entrando num círculo vicioso, pois não são profissionais qualificados e nem possuem recursos de tempo e dinheiro para aumentar sua empregabilidade.
É nessas horas que lembramos da raiz da palavra "trabalho". Não deve ser por acaso que ela vem de "tripalium",
um instrumento romano de torturar escravos.

Tuesday, April 03, 2007

6ª questão - É justo culpar apenas o indivíduo pela sua situação social?

Antes que me achem simplista ou adepto das técnicas de motivação para o sucesso pessoal, vou colocar minha análise sobre a comparação entre o taxista e o empresário que acabei fazendo. Hoje em dia, está muito na moda o discurso de que para se ter sucesso na vida, só depende exclusivamente de nossos próprios esforços. Assim para alcançar nossos objetivos, devemos ter foco, disciplina, fazer mais do que os outros, mudar hábitos e formas de pensar negativas, etc... É o discurso da meritrocacia onde o indivíduo é recompensado pelo seu próprio esforço. No fundo, tudo isso é uma simplificação das idéias centrais da teoria econômica liberal: como agente econômico livre, o homem é capaz de mudar suas circunstâncias e produzir riqueza.
Estudando economia comecei a ter mais noção do impacto que a política econômica do governo tem em cima das pessoas. Um aumento da taxa de juros, por exemplo, influencia todo o setor economicamente ativo de uma sociedade. Se a taxa de juros sobe, o consumo cai, a produção diminui e o país gera menos riquezas. Por mais que os empresários e trabalhadores queiram produzir ou trabalhar mais, a conjuntura econômica não incentiva nem estimula um crescimento de riquezas.
Dessa forma, pegando esses dois pontos de vista e analisando a situação do taxista, podemos dizer que uma parte é fruto de seu próprio esforço. A outra parte vem das condições e oportunidades que foram oferecidas para ele melhorar de vida. Quanto representa cada uma em sua situação é difícil de mensurar.
Antigamente eu era meio intolerante em relação a essa questão e achava que quem era pobre é porque não tinha se esforçado o suficiente. Hoje em dia, sei que existem casos bem diferentes uns dos outros, sendo injusto culpar apenas as pessoas por não progredirem na vida.
Torço para o taxista conseguir melhorar de vida e que aproveite o máximo possível as oportunidades que apareçam. Ele não é um coitado nem mais uma vítima da desigualdade social do país. É apenas um ser humano como outro qualquer, que luta por uma vida digna e em busca da felicidade. Como já disse o Dalai Lama, temos de desenvolver cada vez mais a compaixão pelas pessoas, pois no fundo somos todos muito parecidos.

Sunday, April 01, 2007

Dados sobre os taxistas

Continuando o assunto sobre os taxistas, encontrei algumas informações interessantes em outro blog: http://aumenta1ponto.blogspot.com

"Dados interessantes (valor científico igual a zero):
* um taxista costuma trabalhar entre 6 e 7 dias por semana, com uma média de 10 a 12 horas por dia
* a média rodada é de 150 Km/dia
* um taxista que possui carro e ponto fatura, em média, 4,5 mil reais por mês

Considerando a renda média mensal brasileira, R$ 4,5 mil é muita coisa. Tudo bem que, pra isso, ele precisa comprar o alvará e o carro, investimento total de R$ 50 mil. Mas se ele não tiver nada disso, pode simplesmente alugar um carro de frota, pelo o qual vai pagar uma diária entre R$ 60 e R$ 80. Nesse caso, a renda cai para cerca de R$ 2 mil. Mas ainda assim é bastante dinheiro para a média nacional."

Os dados que eu tenho conhecimento são um pouco diferentes. Os taxistas que eu conversei e que alugavam o carro da frota, tiravam em alguns dias apenas R$ 10,00 livres. Ou seja, praticamente trabalhavam apenas para ganhar o que comer. Quem possui alvará e carro, geralmente são aposentados que resolveram ganhar uma renda extra.

5ª questão - O que diferencia um empresário de um taxista?

Ainda aproveitando a viagem para Natal, posso dizer que conheci um pouco mais sobre realidades que convivem tão próximas, mas são tão distantes ao mesmo tempo. Acredito que o principal fator de desigualdade social não é apenas a falta de oportunidade, mas também a forma de encarar a vida de cada um.
Conheci um empresário de lá que começou praticamente do zero, tendo hoje em dia duas empresas com faturamentos consideráveis. A foto acima é de um resort de sua construtora, oferecendo uma estrutura de hotel para se morar e uma vista deslumbrante do mar.
A diferença entre o taxista e o empresário é que um encarava tudo como dificuldade, enquanto o outro como oportunidade. Nem é preciso dizer quem se deu melhor e qual a postura, mas o importante é tirar lições de cada um. Como esse próprio empresário me falou: "Todo mundo tem algo a ensinar, por exemplo mesmo quem se envolveu com o crime pode dar conselhos para não se cometer os mesmos erros".

4ª questão - Qual a percepção que um taxista de Natal tem sobre embalagens?

Estive recentemente em Natal a convite de um cliente, participei de várias reuniões e conheci todo processo que faz parte de uma indústria do ramo de alimentos. Após o trabalho fiquei dois dias livres na cidade, onde pude fazer o que mais gosto: conhecer pessoas e um pouco da vida delas. Uma dessas pessoas foi um taxista da região no auge de seus 50 anos e com um FIAT UNO todo detonado. Esse senhor sempre viveu no Nordeste e possui dois filhos adolescentes. Uma de suas maiores alegrias era passar numa lanchonete e chegar em casa com um lanche para dar pros filhos. Por ai dá para ter noção da situação financeira vivida por ele, uma realidade muito pobre e sofrida como a maioria dos brasileiros. Dentro desse quadro totalmente diferente do que estou acostumado, cheguei e perguntei para ele qual sua opinião sobre embalagens nos supermercados. A resposta foi um tanto surpreendente para mim mas óbvia se eu vivesse a realidade dele. Ele me respondeu que não ia em supermercados, comprava o que precisava a granel. Respondendo então a pergunta do título, a percepção dele sobre embalagens é igual a uma Ferrari para mim. Somos atraídos pela beleza, mas não pensamos muito sobre o assunto pois não é algo importante em nossas vidas.