Mais do que o resultado dos prêmios em si, acho que é hora de refletir sobre nosso trabalho. Absorver tudo que foi exposto no festival e aprender lições sobre cada case. Quebrar velhos paradigmas, entender que estética e comunicação não são antagônicos e lembrar que o medo de errar é a melhor forma de gerar trabalhos medíocres...
No meio de tantos prêmios na categoria Design Lions para agências de publicidade, um case em particular me chamou a atenção. É o projeto de identidade visual desenvolvido pela Wolff Olins para a AOL. Pelo menos para mim, este é daqueles projetos que todo designer sonha fazer: um briefing desafiador, para uma marca de grande visibilidade e que tem como ambição informar, entreter e conectar o mundo, de uma forma inovadora.
Às vezes nos deparamos com algumas idéias que de tão óbvias, ficamos com raiva de não ter pensado antes. Essa embalagem para fone de ouvido da Panasonic é um desses exemplos. Simples e genial.
Essa embalagem da Mars é outro exemplo da tênue linha que separa o design da publicidade. Foi desenvolvida pela FHV BBDO Amsterdam e ganhou o ouro no Design Lions. Para quem está acostumado a trabalhar com embalagens e pensar em questões como presença da marca, diferenciação de variedade, textos legais e call to action, não deixa de ser uma inspiração para de vez em quando sair um pouco da caixa (no caso, do rótulo).
Hoje saiu o resultado da categoria Design Lions do Festival de Cannes. O grande vencedor do Grand Prix foi o case da Toyota desenvolvido pela HAPPINESS de Brussels.
Segundo definição dos jurados, foi o perfeito casamento entre Design e Propaganda. Um projeto que mostra a separação cada vez mais sutil entre essas duas disciplinas. A utilização de uma das essências do design - desenvolvimento de uma tipografia - de uma forma inovadora em todos sentidos: concepção, distribuição, divulgação e finalidade.
No mínimo nos faz pensar (e muito) sobre os limites e desafios para nós designers...
Na Veja São Paulo dessa semana, saiu uma matéria apresentando quem são os designers que "dão uma cara à cidade". Ironicamente, os designers gráficos que sempre se preocuparam em construir a marca de seus clientes, nunca tiveram a mesma atenção na construção de suas próprias imagens. Enquanto outros profissionais como publicitários e designers de produto, há tempos já fazem isso com enorme competência.
Apesar disso, é cada vez maior o conhecimento e visibilidade de nosso trabalho frente ao público em geral. Se tomar como referência a pirâmide de Brand Equity, podemos dizer que estamos na primeira etapa. É onde ocorre a identificação da marca, onde são levados em conta sua lembrança e reconhecimento frente aos consumidores.
Passado essa fase, temos a segunda etapa onde são desenvolvidos os significados e associações de desempenho e imagens referentes a marca. É a hora de explicar que fazer um logo, não é apenas fazer um desenho. Explicar para sua tia, que ser designer é mais do que saber montar um cartão de visitas no Corel Draw. Temos ainda um longo caminho pela frente, ainda mais quando somos obrigados a conviver com termos como 'designer de sombrancelhas'...
Ter blog exige dedicação e tempo. Nem sempre conseguimos atualizá-lo da forma como gostaríamos. De qualquer forma, a vantagem em ter um blog é a ´cobrança´ de estar sempre antenado e pesquisar muito. Tarefa essa, que não deixa de fazer parte de nosso trabalho, ainda mais na área de planejamento.
Aqui vão os links mais interessantes, em ordem aleatória, que li essa semana:
Aproveitando o embalo, mais dois trabalhos premiados em Cannes. Ambos completamente diferentes em seus objetivos e desafios. No primeiro, o design a serviço do mercado. Estética e função elevados quase a categoria de "arte". No segundo, o design como mensagem e comunicação. Me lembra até um pouco a utopia do manifesto "First Things First", onde nós designers fomos convocados a criar um mundo melhor através do melhor uso de nossas habilidades.
Brief Explanation: The challenge was to intuit a brand language from the consumer's behaviour, while fitting it naturally to the Nokia family. We developed a visual language that was not only elegant and brand appropriate, but that was inseparable from the functionality of the interface. Nokia viNe is the first time the brand design serves as both the identity and interface of the application. In the grand tradition of design, we wanted to create something that was both useful and beautiful. The ultimate objective was to craft a design that was iconic, where the functionality is intuitive and engaging for the user. Describe the brief from the client: To help Nokia establish the Nseries brand as an indispensible utility for consumers that allows them to record and share their life experiences—from photos and videos, to music and text messaging—all geo-tagged to their paths in life.
Description of how you arrived at the final design: We designed from the bottom up, first understanding the behaviour of the user, then creating a visual language that seamlessly combines the naming, brand design, interface and functionality. The daily trails people make on maps are vines. The multimedia they use throughout their day are the leaves. This functional metaphor has the emotional connotations for a useable, intuitive interface. The brand design becomes the experience itself.
Brief Explanation: Having been driven into exile and saddled with a massive duty, our client had a limited budget but a need for their message to break through the reams and reams of coverage on Zimbabwe.
Describe the brief from the client: Our client, The Zimbabwean newspaper, has been driven into exile for reporting on how the Mugabe regime has rigged elections, crushed the opposition, caused poverty, disease and the total collapse of the economy. And now, having been exiled, the regime has slapped a 55% luxury import duty on the paper (as if freedom of speech is a luxury) that makes it unaffordable for the average Zimbabwean. To get the paper into Zimbabwean hands, it needs to be subsidised, and our client can only do that by raising awareness and driving sales outside Zimbabwe.
Description of how you arrived at the final design: We developed a unique solution. One of the most eloquent symbols of Zimbabwe’s collapse is the Z$ trillion dollar note, a symptom of their world record inflation. This money cannot buy anything, not a loaf of bread and certainly not any advertising. But it can become the advertising. So, we turned the money into its own medium by printing our messages straight onto it. By sticking notes together we created posters and then we silk-screened our message straight onto the money.
Indication of how successful the outcome was in the market: Overnight, trillions of dollars of Zimbabwean banknotes achieved what they’d never been able to buy – real and meaningful advertising coverage. Within days we were in the national press on national television and radio. Then the internet discovered it and it spread across the world. As the campaign continues, sales of The Zimbabwean continue to soar. In the week of the roll-out alone, the website logged over 2 million hits. More copies of The Zimbabwean than ever are crossing the border into Zimbabwe. We used Mugabe’s own creation against him.
Apesar de ter acabado há quase 1 mês, ainda vale a pena dar uma olhada nos trabalhos do Festival de Cannes. Como por exemplo, a identidade visual da Nick desenvolvida pela MTV da Alemanha.
Brief Explanation: We wanted to create a spot that incorporated the Nick Corporate identity without feeling forced. We also wanted something with an analogue look which related to the every day life of the kids. With that in mind, the idea to put realistic orange objects in the focus of each spot was born. To build a story around convincing orange objects was a challenge but once that was achieved the other two Nick colours, white and green, worked into the design naturally. This helped to give the spots a unique style while maintaining the brand.
Description of how you arrived at the final design: We wanted to create a spot that incorporated the Nick Corporate identity without feeling forced. We also wanted something with an analogue look which related to the every day life of the kids. With that in mind, the idea to put realistic orange objects in the focus of each spot was born. To build a story around convincing orange objects was a challenge but once that was achieved the other two Nick colours, white and green, worked into the design naturally. This helped to give the spots a unique style while maintaining the brand.
Em Cannes na categoria de material para PDV os prêmios foram para Coca-Cola, Tide, Ikea e 3M. Sendo que o Ouro da categoria ficou com a vending machine abaixo: Em relação a Ikea, são famosas suas campanhas e sites, sempre muito criativos e irreverentes. Inclusive em posts anteriores escrevi sobre a ´coincidência´entre uma abertura da novela da Globo e um hotsite da Ikea. Abaixo o trabalho que ganhou o Bronze:
Apostei que o redesign da Swisscom desenvolvido pela Moving Brands, ganharia pelo menos um Leão. Fato que não aconteceu. Apesar disso, ainda acho que ele merece muito mais do que entrar apenas no short-list. Abaixo um trecho do conceito desenvolvido:
"We were challenged with reflecting Swisscom’s change in emphasis, giving them a broader meaning beyond “Swiss-communication” to “Swiss-community”. The key objective was to create a living, moving identity designed to engage people on a human, emotional level. We approached the identity not just in terms of static elements, but as a multi-sensorial entity that could behave in many different ways - through sound, motion and interaction."
Como já havia escrito, o Brasil conquistou 7 Design Lions nesse ano em Cannes. Desses, gosto bastante do case de Havaianas desenvolvido pela Almap e o convite para o workshop "Designing Naturally”feito pela Tátil. Em comum, além do prêmio, ambos utilizaram o design como forma de construir e criar soluções de alto impacto. Sem dúvida, excelentes contribuições para imagem do design brasileiro no exterior.
Particularmente adoro esse case da Dentsu de Tóquio que conquistou o Leão de Bronze. Uma idéia simples e genial que transformou folhas de jornal comuns, em lindas embalagens para legumes e vegetais. Aliás, a genialidade desse projeto já começa pelo título: "Newspaper to new paper project".
Na categoria de embalagem, os Leões de Ouro foram para as agências JUNG von MATT da Áustria, PEARLFISHER da Inglaterra e RAISON PURE da França. Abaixo os trabalhos de cada um respectivamente:
Linha de vinhos EDUARD TSCHEPPE
Linha de produtos JAMIE OLIVER´S
Perfume VIKTOR & ROLF
Sem dúvida, embalagens de um universo completamente diferente para quem lida no dia-a-dia com questões como impacto de gôndola, texto legal, arquitetura de marca, escolha de claims, etc... Raríssimos projetos e clientes possibilitam tanta liberdade criativa. Principalmente marcas líderes em seus mercados e com um alto volume de vendas.
De qualquer forma, essas embalagens premiadas não deixam de ser excelentes fontes de referência. Servem como inspiração e guia de futuras tendências que podemos encontrar mais para frente. Assim como as roupas apresentadas em desfiles que não tem apelo comercial, mas que acabam ditando a moda das ruas.
O Grand Prix do Design Lions desse ano foi para McCANN Hong Kong, com o case Nike Basketball. Foram criados mais de 350 posters, todos diferentes um do outro. A grande força desse case, não foi o resultado final dos posters. Mas sim, como o processo de produzir os posters transformou-se na mensagem. Para quem se acostumou a estudar design do ponto de vista da Bauhaus, sem dúvida uma quebra de paradigmas tremendo. Afinal, os posters foram produzidos por amadores e sua função não era ser produzido em escala industrial. O recado para os designers é claro: precisamos mais do que nunca se reinventar e abrir a cabeça em relação ao nosso trabalho...
O Brasil mais que triplicou seu número de inscrições nessa segunda edição, em que a categoria de Design está presente no Festival de Cannes. Foram 174 peças em 2009, contra as 48 que disputaram a edição do ano passado. Isso elevou o país ao primeiro lugar no número de inscrições, ultrapassando a Alemanha com 138 peças e os Estados Unidos com 118. Muito desse aumento, tem participação direta da Apex, que subsidiou a inscrição de 128 trabalhos e a ida de 30 delegados ao Festival.
Ao final, o resultado das agências brasileiras deixou o país em quinto lugar, juntamente com a Índia, no ranking desta área. Foram 1 Ouro, 3 Pratas e 3 Bronzes no total. O país mais premiado novamente foi a Alemanha, com 5 Ouros, 2 Pratas e 5 Bronzes. Em seguida aparecem Estados Unidos (4 Ouros, 2 Pratas e 5 Bronzes) e Inglaterra (3 Ouros, 4 Pratas e 3 Bronzes). Li a entrevista da presidente do júri de design, Sylvia Vitale Rotta, para tentar entender mais sobre os critérios de premiação. Segundo ela, "...O critério de avaliação será o design em si, independentemente do projeto ser de agências de design ou de publicidade. Até porque muitas delas têm departamentos especializados que são muito bons."
Outro trecho da entrevista nos revela sua visão sobre design:"...o design é uma linguagem única, como a música. E não há barreira cultural, como em outras categorias, porque um bom design não precisa de muita explicação. Basta olhar."
Como tema dos próximos posts, vou "olhar" os premiados e tentar entender o que é "avaliar o design em si..."
Interessante o texto da Fast Company sobre a "glamourização" dos designers. Hoje em dia é possível encontrar diversos termos como design thinking, design thinker, emotional design, design managment, etc... Evidentemente esses termos não soam tão mal quando lembramos de já ter visto algo como: designer de sombrancelha.
Apesar disso, vale dar uma lida nessa matéria e refletir a respeito. Inclusive esse vídeo foi incluído no texto pelo autor, mostrando de forma irônica o que seria esse "efeito aura" que subitamente deixou os designers cools.
Eu já tinha me surpreendido através da Revista Matriz com a qualidade do design mexicano. Agora foi a vez de descobrir o que nossos 'hermanos' andam produzindo na Colômbia.
A great interview with Marty Neumeier, president of Neutron LLC. He talked your vision about the disconnect between what designers wanted to do and what the marketplace really needed - what businesses needed. Beside this, there are a lot of ideas and concepts to think about. Tip from Adaptive Path Blog.
Este ano não assisti o Super Bowl até o final. Soube depois que o favorito Steelers ganhou da zebra Cardinals. Seria difícil esta edição superar a do ano passado, quando o Patriots buscava a temporada perfeita e teve seu sonho destruído espetacularmente a 39 segundos do final. Mas o motivo deste post não é falar sobre futebol americano, mas sim, sobre um detalhe que me chamou a atenção desde o início: o logo do evento.
De imediato quando vi pela primeira vez, já havia gostado do estilo limpo e elegante do logo. Bem diferente das edições anteriores, que pareciam mais uma demonstração dos plugins de Photoshop. Apenas após o jogo é que descobri que a agência responsável por desenvolver o logo foi a Landor. Vale a pena ler mais sobre o case.