Friday, August 08, 2008

95ª questão - Quanto custa mudar a imagem de um país?

Impressionante a abertura das Olimpíadas de Pequim. Este vídeo com a contagem regressiva dá uma amostra do show proporcionado pelos chineses. O diretor desse espetáculo foi Zhang Yimou, diretor de filmes como "Lanternas Vermelhas" e "O clã das adagas voadoras". O orçamento estimado para apresentar ao mundo a grandiosidade da China foi de US$ 100 milhões. Provavelmente um dos comerciais mais caros de toda a história.

Segundo palavras do NYT: "Any Olympic opening is a propaganda exercise, but Friday night’s blockbuster show demonstrated the broader public relations challenge facing the Communist Party as China becomes richer and more powerful. The party wants to inspire national pride within China, and bolster its own legitimacy in the process, even as leaders want to reassure the world that a rising China poses no danger."


Saturday, July 26, 2008

94ª questão - Qual foi o balanço final do Design Lions?

Abaixo (um pouco atrasado) o balanço do resultado final:

A. 75% dos prêmios da categoria Design Lions foram para agências de publicidade e não de design. Nas próximas edições essa relação deve se alterar, pois como é uma categoria estreante, muitas agências de design não inscreveram seus cases.

B. Para o ano que vem, pode ser criado a categoria de Design de Embalagens.

C. O Brasil inscreveu um total de 48 trabalhos no Design Lions.

C. A Alemanha foi o país mais premiado com 2 ouros, 5 pratas e 1 bronze. O Brasil conquistou 2 pratas (F/Nazca para Unimed e Indústria Nacional & Diálogo Design para Hortifruti) e 1 bronze (Leo Burnett para Akatu)

D. De 12 leões de ouro, 2 cases são de embalagem. O serviço mais premiado foi Design de Ambientes com 5 prêmios. Houve uma gama de serviços muito diferente competindo dentro da mesma categoria, sendo que a identidade em vídeo de uma emissora de TV concorreu com posters por exemplo.

E. O Grand Prix foi para o case de desenvolvimento da identidade visual da Coca-Cola feito pela agência de design TURNER DUCKWORTH (www.turnerduckworth.com/small.html). A reestilização aproximou as embalagens de seu estilo clássico, mais simples e limpas. O trabalho já havia ganho prêmio no FAB Awards 2008, voltado exclusivamente para design no segmento alimentício e bebidas.

O link com todos os premiados é: (http://www.canneslions.com/winners/design)

Friday, July 04, 2008

93ª questão - Brand or not brand? This is the question

Interessante o conceito da loja japonesa Muji. Seu nome vem das letras em japonês para algo que pode ser traduzido como "sem marca". Ela é famosa pela simplicidade e bom design, passando por roupas, mobiliário, eletrônicos, etc... Tudo vendido sem nenhuma marca ou etiqueta. Conceito paradoxal, afinal a marca Muji é uma marca com posicionamento de não-marca? Lembrou-me a mesma questão sobre capa do livro No Logo da Naomi Klein...

Wednesday, June 25, 2008

92ª questão - E os brasileiros no Design Lions?

O Brasil na categoria Design Lions ganhou 2 Leões de Prata e um de Bronze. Um dos Leões de prata foi com o trabalho de embalagem da INDUSTRIA NACIONAL & DIALOGO DESIGN para Hortifruti. O prêmio foi merecido não pela estética ou sacada criativa, mas principalmente por agregar duas tendências muito fortes: saudabilidade e conveniência. O resultado foi a venda de 100.000 unidades nos 3 primeiros meses. Quem acompanha o mercado de embalagens, sabe que mais do que nunca, é importante conseguir entender e detectar as novas necessidades dos consumidores. Mais do que um diferencial, torna-se uma questão de sobrevivência para as agências de design.

Sunday, June 22, 2008

91ª questão - Os nossos japoneses são mais criativos que os japoneses dos outros?

Este é o case da UNIQLO que conquistou o Grand Prix do Titanium Lions. Divertido, relevante e extremamente viral sem se esquecer do foco principal: divulgar os produtos da marca.
Vale a pena conhecer melhor mais detalhes do projeto: TITANIUM GRAND PRIX

90ª questão - O que o design pode fazer pela Coca-Cola?


Este ano marcou a estréia do Design Lions, a categoria no Festival de Cannes que visa premiar os trabalhos na área de design. Quem levou o Grand Prix acabou sendo a TURNER DUCKWORTH com o case da Coca-Cola. O grande mérito do projeto foi justamente recuperar a identidade visual da marca. Através de um trabalho consistente em todos pontos de contato com os consumidores, os elementos e ícones da marca voltaram a tornar-se relevantes e reconhecidos como a antiga "mística" Coca-Cola.

Eis um belo exemplo de como o design pode ajudar a construir uma marca. Nada de splashs, elementos e grafismos desnecessários. Apenas o que realmente se possa apropriar e fazer parte da essência da marca.

Saturday, June 21, 2008

89ª questão - Que tal fazer pipoca de um jeito diferente?

Esse post não tem nenhum questionamento nem comentário "filosófico". Apenas achei engraçado o que podemos encontrar vasculhando o YouTube. Já viram esses vídeos com celulares servindo para fazer pipoca? Acredito que sejam fakes, mas que dá uma vontade de testar isso dá...

Thursday, June 19, 2008

88ª questão - Japoneses ou brasileiros?

Hoje dia 18 de junho de 2008, é comemorado o Centenário da Imigração Japonesa. Esse tema está presente em praticamente todos veículos de comunicação. Já foi abordado em canais de TV aberta, bem como matérias em jornais, revistas e sites. Por esse motivo, conheço pessoas que não aguentam mais ouvir falar no assunto.

Como este é o tema da minha monografia, para mim está sendo ótimo ter tanto conteúdo para pesquisar e tirar informações. Meu objetivo é fazer um estudo sobre os descendentes de japoneses que residem no Brasil, trazendo evidências da formação de uma subcultura com características próprias.

Será possível afirmar que fatores como cultura ou raça tem influência no padrão de consumo? Como identificar os bens emblemáticos de formação da identidade? Enfim, existe uma infinidade de questões interessantes que podem ser abordadas dentro dessa linha. Ainda mais se considerarmos o fator cultura brasileira.
A antropóloga Célia Sakurai tem uma definição a respeito dessa influência de duas culturas distintas entre os descendentes de japoneses:
"O Brasil é um país multicultural e multiétnico, e os japoneses fazem parte desse cenário. Eles não são mais japoneses nem nunca serão. São agora a mistura do arroz e feijão com missoshiro, quibe e macarronada".

Os japoneses utilizam muito a expressão "
ganbatte kudasai". Esta significa algo como "empenhe-se", no sentido de não desistir e procurar se esforçar.
Como tenho um mês para conseguir tirar conclusões e apresentar minha análise sobre o assunto, mais do que nunca, essa expressão faz todo sentido para mim.

Wednesday, June 18, 2008

87ª questão - O que um jogo de basquete tem a ver com os mitos?


Confesso que estava torcendo para o Lakers. Depois de assistir eles vencerem o último jogo e deixar a série em 3-2, pensei que ainda havia esperança de conquistar o título de 2008.
Nesse exato momento que escrevo, falta pouco mais de 10 minutos e mais de 30 pontos de diferença. Ou seja, só um milagre para tirar o título do Boston Celtics. Um time equilibrado e com várias estrelas dividindo a responsabilidade de levar o time para a vitória. Título mais do que merecido, finalizando com chave de ouro a melhor campanha na temporada regular. Como toda conquista, esse título veio com muito suor, sacrifício e superação de vários jogadores. Muitos começam a jogar basquete na periferia, sendo uma possibilidade de ascenção social e oportunidade de vencer na vida.

O interessante nessa história toda, é analisar como diversos elementos da mitologia estão presentes. O esporte tem o poder de trazer a tona arquétipos antes presentes apenas nos mitos. Quem não se identifica com uma pessoa que passou por milhões de dificuldades, alcançando a rendenção e dando a volta por cima conquistando a vitória no final. Situações como essa, vão sempre fazer parte do imaginário coletivo, reforçando nossa eterna busca da felicidade. Como já disseram os economistas, nossa vida consiste em duas coisas: fugir do sofrimento e buscar gratificação. Se duvida, pare um pouco e pense, para que vivemos mesmo? Qual o motivo de trabalharmos tanto? Qual o sentido de tanto sacrifício?

Saturday, June 07, 2008

86ª questão - Você prefere a Hello Kitty ou o Glommy Bear?


Ao mesmo tempo que personagens fofos como a Hello Kitty fazem grande sucesso, cada vez mais personagens "anti-fofos" surgem e também conquistam milhares de fãs. Um exemplo disso é o Glommy Bear, um urso rosa que já a algum tempo conquistou os adeptos de Toy Art.

O criador desse personagem é o designer gráfico Mori Chack. A lógica por trás do Glommy Bear, e que aliás faz sentido, é acreditar que os seres humanos e os animais são incompatíveis, sendo o urso um animal selvagem por natureza. Por isso o "fofo" urso vem todo ensaguentado, com cicatrizes e muitas vezes retratado em situações violentas.

Mas será que a criação de personagens violentos pode ser considerada uma nova tendência? Na minha opinião não. Quem assistia Pica-Pau sabe que ser politicamente correto não era bem o forte dele. Minha geração cresceu com um ídolo que muitas vezes era malandro, vingativo e cruel (isso deve explicar muita coisa porque somos tão problemáticos). Engraçado pensar nesse lado sádico tão presente nos seres humanos. Não importa se você é "cool" e compra um Glommy Bear ou se é popular e lê jornais sensacionalistas. No fundo, as pessoas são muito mais parecidas do que aparentam.

Saturday, May 31, 2008

85ª questão - Você conhece Carrie Bradshaw?

Dia 6 de junho estréia aqui nos cinemas do Brasil o filme "Sex and the city". O seriado foi um enorme sucesso de público mas também foi alvo de muitas críticas. Alguns consideram estereotipados demais a forma como as mulheres foram retratadas. Outros criticam seu incentivo ao consumismo, visto que a protagonista é fanática por sapatos (principalmente Jimmy Choo).

De qualquer forma, esse seriado foi um retrato das mudanças comportamentais das mulheres. Principalmente na faixa entre 30 a 35 anos. Ouvi certa vez uma definição interessante sobre esse público. A diferença entre elas e as mulheres de 20 anos, é que as ambos podem não saber o que querem, mas as de 30 tem dinheiro para fazer o que quiserem.

Isso nos leva exatamente aos personagens do seriado. Afinal em todos episódios, o consumo serve como parte essencial das histórias. Seja na compra de sapatos ou jantares em restaurantes badalados. O que torna interessante levantar algumas reflexões. Será que Carrie Bradshaw é apenas uma consumidora compulsiva? Quais emoções são satisfeitas quando ela compra um sapato? A promessa de segurança? Estar pelo menos um pouco livre do medo, erro, negligência? O que esse ritual de adquirir bens de consumo significa?

Para quem se interessa em entender melhor o consumo dentro do ponto de vista cultural, vale a pena assistir o filme. O mínimo que pode acontecer é ter assunto no almoço com as colegas de trabalho.

Friday, May 23, 2008

84ª questão - Todos marketeiros são mentirosos?

Esse vídeo é uma palestra do Seth Godin, autor de "All marketers are liars" entre outros livros. Ótima sugestão para quem não foi viajar nesse feriado.

Sunday, May 18, 2008

83ª questão - Como a embalagem ajuda na construção de marcas?

Nesse sábado fiz uma palestra na Faculdade Belas Artes com o tema Embalagem. Espero que os alunos tenham gostado. Procurei usar muitas imagens, exemplos de embalagens bem atuais e mostrar a relação de tendências com design.
Adorei a oportunidade de fazer essa palestra. Como disse durante a apresentação, fiquei feliz por dois motivos. O primeiro é o aprendizado e troca de experiências que proporciona. Segundo, que sempre é bom saber o interesse crescente dos designers em conhecer mais a respeito de branding.

Wednesday, May 07, 2008

82ª questão - Qual o papel social do consumo?

Estou extremamente focado na minha monografia, por isso deixei um pouco de lado o blog. Uma questão que estou me aprofundando bastante, trata da influência da cultura dentro da determinação de padrões de consumo. Esse vídeo sobre as marcas na China é bem interessante e nos faz refletir sobre o papel social que o consumo representa.

Monday, April 21, 2008

81ª questão - O que os consumidores querem?

Complementando o post anterior, esses dois filmes exageram um pouco para mostrar como seguir os resultados das pesquisas pode matar boas idéias.



80ª questão - Diamond or square?

Qual a melhor forma de assegurar o sucesso no lançamento de um produto? Como resposta imediata na cartilha do marketing, temos fazer pesquisas com os consumidores para saber o que eles querem.

O problema é que invariavelmente eles nunca sabem o que desejam exatamente. Mesmo porque, não é tão simples assim expressar verbalmente o que se espera de um produto. Muitas vezes as situações de pesquisa são artificiais e só servem para confirmar os pressupostos do pessoal de marketing.

Ultimamente diversos comerciais tem feito paródias com essa situação. Até mesmo uma campanha foi desenvolvida no Canadá pelo cereal Shreddies da Kraft Foods, mostrando um grupo de pesquisa com pessoas de verdade, comentando sobre o lançamento do novo Diamond Shreddies. Seria algo normal, não fosse o "diferencial" do novo produto. Vale a pena assistir.

Monday, April 14, 2008

79ª questão - Que tal confessar para Deus na internet?


Vi no blog da Paula Rizzo uma idéia muito interessante. O mesmo fundador do Cool Hunter lançou outro site com uma proposta inusitada. Imagine um lugar na internet onde seja possível confessar que fez sexo com um homem ou sua namorada fez um aborto. Isso tudo na forma de uma oração para "Deus". Neste caso, o termo "Deus" tem um sentido mais amplo independente de crença ou religião. O link para quem quiser confessar ou fazer uma prece é http://www.dear-god.net.

É uma verdadeira terapia online coletiva. Pessoas que não se conhecem e nunca se viram, trocam confissões e dizem palavras de conforto uns aos outros. O anonimato da internet possibilita expor-se de forma única. É possível confessar nossos segredos mais íntimos e ter outras pessoas para compartilhá-los.

Nunca os limites entre privado e público foram tão tênues. Ao mesmo tempo que podemos expor nossa vida e se destacar na multidão, também temos a opção de esconder nossa identidade. O mais curioso é tirar a seguinte dúvida: somos mais verdadeiros quando expomos nossa identidade ou quando somos anônimos?

Monday, April 07, 2008

78ª questão - Qual o grande assunto da semana?

Quando acessei hoje o YouTube encontrei algo que me chamou bastante a atenção. Entre os 20 vídeos mais vistos da semana, 16 são a respeito do caso Isabella Oliveira Nardoni. A grande maioria dos brasileiros deve estar de uma forma ou outra acompanhando o caso. Esse assunto foi capa das principais revistas semanais, matéria em jornais, além de ser destaque no Fantástico, Jornal Nacional e praticamente todos telejornais.

Interessante observar a comoção nacional e interesse das pessoas em acompanhar o assunto. Já surgiram diversas manifestações de apoio e de revolta contra a violência infantil. Engraçado como parece que já vimos essa mesma história antes. De novo ocorre uma catarse coletiva, onde todos parecem hipnotizados por um assunto considerado "importante". No final das contas, em pouco tempo esquece-se o que aconteceu. Todos ficam aguardando ansiosamente o próximo "grande acontecimento".

Não quero dizer que foi algo sem importância ou não deva ser tratado com seriedade. Mas será que além dos parentes e amigos da vítima, esse assunto é realmente tão relevante? Como observou T. H. Marshall em outro contexto, quando muitas pessoas correm simultaneamente na mesma direção, é preciso perguntar duas coisas: atrás de que e do que estão correndo?

Realmente entender os consumidores é uma tarefa bem complexa. As mesmas pessoas que se emocionam com uma tragédia como essa, são as que também vão ao supermercado escolher entre um suco light ou com soja. Estamos indo atrás do que quando optamos por um suco light? Que necessidades acompanhar uma tragédia como essa nos supre?

Wednesday, April 02, 2008

77ª questão - Por que não nos entendemos mais?

Perfeito a forma como esse vídeo mostra a falta de sintonia entre anunciantes e consumidores. Vale a pena assitir e refletir se realmente estamos conseguindo nos comunicar com as pessoas. Mais do que argumentos de vendas, hoje o papel do profissional de marketing é ser um "curandeiro".

A transação entre comprador e vendedor não diz respeito mais a produtos. Ela diz respeito a cura. O produto é meramente um objeto de troca.

Isso envolve uma compreensão profunda da natureza dos benefícios interiores que o consumidor deseja. Que estado de espírito o consumidor procura? Qual é a mazela que precisa ser curada, e qual a medida para a cura?

Sunday, March 30, 2008

76ª questão - O que fazer em 1 ano?


Hoje escrevo o post de número 76. Exatamente um ano depois que comecei a escrever esse blog. Nesse período deu para fazer bastante coisa. Troquei de carro, troquei de emprego, voltei a jogar futebol, conheci muita gente, iniciei uma pós e consegui ler 22 livros. Desses nenhum sobre carreira, auto-ajuda ou literatura. A grande maioria trata de comportamento do consumidor e tendências.

Muito do que li acabei de um jeito ou de outro tratando aqui no blog. A média de acessos é de 20 pessoas por dia. Muitos leitores vem através do Google, pois em geral o blog está bem posicionado em diversas palavras-chave. Não fiz nenhuma divulgação tradicional ou ações em comunidades e blogs. Meu objetivo é modesto, não quero ganhar dinheiro com anúncios nem ter uma grande audiência. Apenas quero um espaço para expressar minha opinião.

Falando em opinião, bem que estava demorando para sair um livro como "The cult of amateur" de
Andrew Keen. El
e discursa sobre como esse conteúdo é uma ameaça a cultura e afirma que as pessoas que geram conteúdo na internet são “profissionais frustados e amadores” que não criam nada de valor significativo para a nossa sociedade.

Uma crítica dura para todos blogueiros de plantão. Concordo que a grande maioria dos blogs não tem um conteúdo relevante mesmo. Mas será que toda vez que escrevemos, nossa obrigação é gerar uma contribuição inesquecível para humanidade? Será que a obra literária de Andrew Keen chegará um dia aos pés de Shakespeare por exemplo?

Saturday, March 29, 2008

75ª questão - Quem nunca conheceu uma Maria Gasolina?

Engraçado como certos estereótipos não saem de moda. Quem nunca ouviu a expressão Maria Gasolina? Que garoto nunca se sentiu frustado, em não ter um carro que chamasse a atenção das meninas? A mensagem é clara, quem tem um carro melhor se dá bem com a mulherada.

Dizer que o consumo induz a esse tipo de comportamento é no mínimo superficial. Será que são as pessoas que necessitam melhorar a auto-estima, ou os apelos dos comerciais que são irresistíveis? O vídeo abaixo é da banda Seminovos, tratando de uma forma engraçada essa questão.

Tuesday, March 18, 2008

73ª questão - Como fazer compras no futuro?

No YouTube existem diversos vídeos sobre esse tema. Alguns meramente exercícios de futurologia, outros com idéias bem interessantes. O que realmente importa é tentar entender e levantar algumas questões como: O que está por trás dessa tendência? Qual a rede de significados que o ato de fazer compras possui? Será que é apenas uma troca comercial entre um produto e um valor monetário?

Entendendo melhor questões como essas, torna-se mais fácil prever o comportamento e motivações dos consumidores. Fator esse que pode ser decisivo no sucesso ou não de uma estratégia de marketing.

72ª questão - Como será a loja do futuro?

Este vídeo é da Meta Group idealizando sua idéia de supermercado do futuro. Futuro esse já não tão distante assim, pois quem faz compras no Pão de Açúcar do Shopping Iguatemi tem uma experência bem similar a isso.

Friday, March 14, 2008

71ª questão - Para que você precisa de embalagens?

Saiu no blog Empresa verde da Época Negócios:

"Caixa Verde: clientes saem do supermercado sem embalagem do produto

Que tal ir ao supermercado e, em vez de sacolas cheias de embalagens geralmente dispensáveis, levar para a casa somente o necessário? É o que a rede
Pão de Açúcar está propondo a seus clientes com a criação do Caixa Verde. A idéia é que o consumidor compre, por exemplo, um creme dental e se desfaça da caixinha de papelão antes de sair da loja. O Rio de Janeiro é a primeira cidade a receber a versão final da ação, que tem como objetivo estimular os consumidores a reciclar embalagens."

Interessante essa ação que estimula os consumidores a reciclar as embalagens antes mesmo do consumo do produto. Pelo jeito, a tendência é cada vez mais as embalagens tornarem-se efêmeras, servindo realmente como um anúncio publicitário. É importante ficar atento a esses movimentos, pois com certeza essa mudança de paradigma não é algo passageiro.

Thursday, March 13, 2008

70ª questão - Qual o limite entre ética e ousadia?

Esse vídeo mostra uma ação de marketing de guerrilha realizada por uma agência de propaganda. Achei a idéia muito inteligente além de uma perfeita execução. Apesar disso, me pergunto: será que eu que sou careta ou mais alguém questiona a ética de uma ação como essa? Esse tipo de pergunta, com certeza foi o efeito da aula que tive ontem sobre Ética e Direitos do Consumidor. Acho melhor eu levar menos a sério essas aulas...

Wednesday, March 12, 2008

69ª questão - Qual a diferença entre sociedade do consumo e cultura do consumo?

Sociedade é diferente de cultura.

Sociedade é um conjunto de regras que regem a cultura.
Cultura é um tipo de comportamento a respeito da regra.

Existe uma regra (sociedade) imposta mas as pessoas reagem com comportamentos (cultura) diferentes. Temos como exemplo que algumas pessoas avançam no sinal fica amarelo, enquanto outras param o carro.

A Sociedade de consumo é a linha defendida por autores como Mary Douglas, Daniel Miller, Don Slater. Esse grupo defende o consumo como via de acesso privilegiada para entender os processos sociais e culturais. Tem muito mais a ver com um contexto social e de regras que compõem as relações humanas dentro de seus círculos de convívio.

A Cultura do consumo analisa o consumo como principal elemento de reprodução social. Trata das questões referentes aos bens como fetiches e eleva-os a categoria de signos. Tem fortes componentes moralistas, superestimando o impacto que o consumo tem sobre as pessoas. Analisa principalmente os aspectos individuais e seus significados tendo impacto no comportamento do indivíduo.

Tem uma definição que acho que diferencia bem consumidor e consumismo:
O consumismo é o ato de consumir produtos ou serviços compulsivamente e, muitas vezes, sem consciência; enquanto o consumidor é aquele que compra produtos.

Há várias discussões a respeito do tema, entre elas o tipo de influência que a propaganda e a publicidade exercem nas pessoas. Muitos alegam que elas induzem ao consumo desnecessário, sendo este um fruto do capitalismo. Lembrando que essa definição tem raízes na teoria da Cultura do consumo.

68ª questão - Você tem certeza que quer ser designer?

Monday, March 10, 2008

67ª questão - O que é uma Lovemark?

Essa campanha da Apple foi veiculada já faz um tempo. Apesar disso, ainda acho uma das melhores inspirações para se começar a semana.

Pense diferente


"Aqui estão os loucos;
os desajustados;
os rebeldes;
os criadores de caso;
os peixes fora d’água;
aqueles que vêem as coisas de um jeito diferente.
Eles não gostam de regras
e não têm o menor respeito pelo Status Quo.

Você pode concordar com eles ou discordar deles;
pode glorificá-los ou difamá-los;
a única coisa que você não pode fazer é ignorá-los.

Porque eles mudam as coisas
Eles puxam a raça humana para frente.

E, enquanto, alguns podem chamá-los de loucos,
nós preferimos chamá-los de gênios.
Porque as pessoas que são loucas o suficiente
para achar que podem mudar o mundo, são aquelas que mudam."

Saturday, March 08, 2008

66ª questão - O que acontecerá quando tudo no mundo estiver disponível para todos?

Essa apresentação é sobre o termo "Cauda Longa", criado por Chris Anderson para denominar o novo modelo de negócios que estamos vivendo.
Suas idéias transformaram-no em um dos mais influentes pensadores de nosso tempo. Vale a pena ler o livro e conhecer mais a respeito desses conceitos.

Friday, March 07, 2008

65ª questão - O que significa consumir?

Preparei este Workshop no ano passado para ser apresentado na agência em que trabalho. A idéia foi transmitir alguns conceitos sobre o significado do termo "consumo".
Muitas vezes temos uma idéia pejorativa desse termo, associando a diversos aspectos negativos. O curioso é que muitas vezes, não percebemos como essa atividade está inserida em nossa individualidade.
Esse tema é fonte de infinitas discussões acadêmicas, com diversas teorias a respeito e pontos de vista diferentes. Quem quiser se aventurar mais nesse tema, na apresentação tem algumas indicações de autores para se pesquisar.

Monday, February 25, 2008

61ª questão - O que você faz enquanto espera o seu Hot Pocket ficar pronto?

Essa ação já tem um tempinho, mas mostra bem o que acontece quando as empresas oferecem aos consumidores o poder de gerar conteúdo. A Sadia fez um hotsite que perguntava as pessoas o que elas fazem enquanto esperam o Hot Pocket ficar pronto. Muito interessante a idéia sendo um bom exemplo de propaganda 2.0 na web. Só não contavam com um vídeo como esse:

Wednesday, February 06, 2008

60ª questão - Quais as tendências em hábitos alimentares?

Há um tempo atrás, participei de um simpósio sobre hábitos alimentares na ESPM. Para aqueles que, assim como eu, trabalham com design desenvolvendo marcas e embalagens para as indústrias alimentícias, vale a pena dar uma lida.

Pesquisa hábitos alimentares


Frase para se pensar: O consumo de alimentos é diferente de carros e roupas, porque o consumo atual não preescreve o consumo posterior.

Tendências gerais:

- Maior liberdade individual: dieta individualizada e baseada no gosto individual
- Crescente diferenciação de estilos de vida
- Consumidores passivos/ massa (consomem o que é oferecido)
- Fortalecimento de outras divisões sociais (étnico, religioso, etário, etc...)

Tendências contemporâneas ocidentais

- Diminuição dos contrastes entre os grupos sociais e aumento da variedade
- Individualização: tanto escolha como ingestão
- Ênfase em alimentação "tradicional" e étnica, participação em uma "imagined community"
- Estilização da alimentação - forma de pertencimento a determinados grupos: valorização da gastronomia, do gosto e do saber culinário
- Informalidade: não só no aspecto das refeições, menos hierarquia, menos ritualização - maior aceitação das experiências gastronômicas e diferentes ideologias alimentares

Percepções preliminares

- Acentuada homogeneidade no cardápio para todos os grupos sociais nas principais refeições (inclusive regionalmente - ex: arroz com feijão)
- Surpreendente presença masculina na cozinha - inclusive nas classes C/D/E por prazer de cozinhar
- Conhecimento em todos os níveis sociais do que seja uma alimentação saudável/ lêem rótulos
- Conhecimento do que é light e diet
- Valorização do comer junto
- Presença da televisão no momento da refeição
- Jovens apresentando uma maior individualização do gosto e hábitos alimentares

Tuesday, February 05, 2008

59ª questão - Quais os melhores comerciais do Super Bowl?

Ainda falando sobre o Super Bowl, aproveito para colocar uma das dezenas de vídeos que brotam no You Tube com a lista dos melhores comerciais.



Não sou um expert em futebol americano e nem considero um dos meus esportes favoritos, mas devo confessar que o jogo desse ano foi espetacular. De um lado o time dos sonhos, invicto na temporada, buscando entrar na história como a melhor campanha de todos os tempos, além de ter vencido 4 Super Bowls nos últimos 7 anos. Do outro, um time desacreditado que tinha conquistado seu último título na temporada 90/91. Para complicar ainda mais, faltando menos de 1 minuto para o final do jogo, estava perdendo por 14 a 10.

O final dessa história todos já conhecem. O Giants conseguiu virar o jogo faltando 39 segundos em uma jogada espetacular. Esse vídeo feito por um torcedor da arquibanda dá um noção do que foi isso.

58ª questão - O que fazer com US$ 5 milhões?


Ann Mukherjee, vice-presidente de marketing da Frito-Lay, utilizou esse valor por 60 segundos no intervalo do Super Bowl.


Saiu no Wall Street Journal: "O vídeo faz parte de uma estratégia ousada - mas arriscada - da PepsiCo para revitalizar a marca entre as pessoas da geração YouTube e MySpace. Depois de grandes quedas das vendas no começo da década, a Frito-Lay, divisão de salgadinhos da Pepsi, está tentando reacender o interesse em seus salgadinhos Doritos, que já têm 42 anos, voltando seu marketing tanto quanto possível para as vozes irreverentes que atraem consumidores com metade da idade da marca. Para fazer isso, a Pepsi projetou cuidadosamente nos últimos dois anos uma campanha de marketing aparentemente ousada, planejada em todos os aspectos para parecer o menos planejada possível.

A PepsiCo está esperando uma grande reação no domingo. No intervalo do Super Bowl, a final do campeonato de futebol americano, a empresa vai veicular - a um custo de mais de US$ 5 milhões - um videoclipe de 60 segundos com o artista ou grupo amador que for escolhido pelos consumidores numa votação online. Nenhuma das músicas menciona o Doritos, mas o nome e a marca Doritos serão incluídos num texto que acompanha o vídeo. O Super Bowl conta com a maior audiência da TV americana.

Mas há uma linha muito tênue entre levar as vozes de um bando de desconhecidos da nova geração para uma campanha de marketing e afrouxar verdadeiramente a imagem do segundo salgadinho mais vendido da PepsiCo. Dar espaço para veiculação no Super Bowl a uma música que não é sobre o Doritos pode muito bem não dar resultado nenhum em termos de vendas. E se os consumidores jovens, notoriamente arredios, concluírem que os marqueteiros do Doritos estão na verdade tentando manipulá-los, isso pode fazer toda a campanha resultar num tiro pela culatra.
"

Sunday, February 03, 2008

57ª questão - O que o carnaval tem a ver com shampoos?

Particularmente nunca gostei muito de carnaval. Sem dúvida um pouco por preconceito, um pouco para manter a postura blasé de desprezo pela cultura popular. Sempre me perguntei qual a contribuição de uma festa com mulheres seminuas por toda parte rebolando em saltos plataforma. Não consigo até hoje distinguir a diferença dos sambas enredo de cada escola. Todos elementos como ritmo, cadência, percurssão, etc...parecem sempre muito iguais.

Não quero fazer um post questionando o carnaval. Acho que ele contém diversos itens importantes da formação do caráter e personalidade do brasileiro. O ponto que eu quero abordar é retomar o post sobre posicionar uma marca de shampoo. Assisti hoje ao desfile de uma escola de samba, em que o tema é justamente sobre cabelos:

Reportagem da Folha Online: "Mostrar que o cabelo não se resume apenas a um adorno ou estética e possui importância histórica e até ritualística é a proposta da Camisa Verde e Branco.

O abre-alas aborda a mitologia em torno do cabelo e conta com personagens como Medusa --que tinha serpentes no lugar dos cabelos e petrificava quem a olhasse--, o personagem bíblico Sansão --cuja força estava no cabelo-- e também o homem das cavernas. "O homem da pré-história arrastava a mulher pelos cabelos para fazer amor com ela", diz o carnavalesco.

Siqueira afirma que os cabelos também delimitavam classes sociais, como no caso de Grécia e Roma, representadas em uma das alas. Quanto mais longo os cabelos, mais poder o seu detentor tinha sobre os demais.

O segundo setor da escola mostrará a relação das religiões com os cabelos. Entre elas estão a hindu, católica, protestante e africana. No caso da católica, será feita a encenação de um fiel que corta os seus cabelos em sinal de pagamento de uma promessa."

Todas essas mudanças de significado dos cabelos, foi apresentada de forma lúdica e com extremo impacto visual. Isso me fez descobrir um novo olhar para o carnaval. Comecei a pensar se as apresentações de conceituação também não podem ser mais criativas. Estou chegando a conclusão de que um dia, ainda vão me ver desfilando ao lado de mulheres seminuas. Pelo menos, tenho a desculpa de dizer que estou em busca de inspiração e referências para meu trabalho.

Saturday, February 02, 2008

56ª questão - Quantos tipos de pão sueco existem em um supermercado?


Imagine uma empresa que disponibilize escolher entre 67 espécies de chá, 38 espécies de café e 29 espécies de chocolate entre outros 200 mil itens. Essa mesma empresa utiliza técnicas de marketing viral, incentivando seus clientes a divulgarem através do boca-a-boca sua marca e produtos. Para manter um estoque tão grande de mercadorias, utiliza uma rede de depósitos virtuais que despacha os produtos diretamente de suas fábricas para os clientes.

O mais espantoso de tudo, é que não estamos referindo-se a nenhuma empresa da era pós-internet. Não trata-se da Amazon, iTunes e muito menos o ebay. Estamos falando da Sears que em 1897, já oferecia toda essa variedade e quantidade de produtos para os americanos das zonas rurais. Através de seus catálogos era possível comprar de tudo. Desde frutas enlatadas e cristalizadas até mesmo armas, como por exemplo um revólver de 38 cents.

O motivo de estar escrevendo sobre isso, é que fui no supermercado e encontrei 17 tipos de pão sueco para escolher. Pensei estar diante de um dos pilares da economia que vivemos hoje. Afinal imaginei que nunca na história tivemos tanta opção de escolha e variedade. Por isso minha surpresa em descobrir que a mais de 100 anos atrás, já existiam empresas que disponibilizavam escolher entre diversos itens e receber todos eles no conforto do lar.

Percebi que muito mais do que a variedade de escolha, os pilares da nova economia são baseados em três pontos:
- democratização da produção
- democratização da distribuição
- ligação da oferta e demanda

Como disse Chris Anderson em seu livro "Cauda Longa": " No futuro, a questão não será se a multiplicidade de escolhas é melhor, mas sim o que realmente queremos. Nos corredores infinitos, tudo é possível."

Sunday, January 20, 2008

55ª questão - Quais as perguntas para posicionar uma marca de cuidados para o cabelo?


Dois posts anteriores encontramos uma definição muito interessante:
A forma não segue mais a função. A forma segue o significado.
Ou seja, cada vez mais a função do design é construir significados e conectar-se com o universo emocional dos consumidores. Tarefa nada fácil! Ainda mais em tempos de tantas mudanças e quebras de paradigmas.

Abaixo algumas perguntas que formulei para analisar uma marca de cuidados para o cabelo:
1) quais os problemas básicos na vida das pessoas que os produtos resolvem?
2) o que os consumidores mais temem quando usam esse produto?
3) o contexto social afeta o consumo desses produtos?
4) quais os mitos e contos de fada relacionados com cabelos?
5) que arquétipos podem ser relacionados ao uso desses produtos?
6) a forma como são utilizados possuem quais características?
7) os pensamentos e sentimentos dos consumidores sobre a marca e a categoria são semelhantes?
8) quais as diferenças entre os gêneros masculino e feminino na percepção dos produtos?
9) como você se sentiria caso nunca mais precisasse cuidar dos cabelos?
10) o critério de escolha é igual ao processo de decisão?

Enfim, sou do pressuposto que se não fossem as perguntas, o que seriam das respostas?
Meu grande interesse é entender mais profundamente o que existe por trás do consumo. Mesmo que seja uma simples compra de shampoo. Descobri por exemplo que o conto sobre Rapunzel possui diversas conotações simbólicas, servindo para gerar insights sobre a natureza feminina e sua relação com os cabelos.

Apesar de ter entendido melhor o papel dos cabelos na vida das pessoas, ainda existem mistérios inexplicáveis para mim. Um deles diz respeito aos seres humanos que por livre e espontânea vontade, aguentam a tortura de passar meia hora (no mínimo), com um motor de avião do lado das orelhas esquentando suas cabeças. Tradicionalmente esse processo tem o nome de escova. Nessas horas só me resta render-se a célebre frase de Oscar Wilde: As mulheres foram feitas para serem amadas e não compreendidas.

Wednesday, January 16, 2008

54ª questão - Design pode mudar o mundo?

53ª questão - Design é uma questão de gosto?

Trecho do livro "The Design Experience":

Alguns anos atrás estávamos em um debate ao vivo no rádio com o diretor de uma indústria de cerâmicas, que tratava da má-vontade dessa empresa em adotar um design mais contemporâneo. Defendendo a confiança de sua empresa em desenhos com mais de um século de idade, o diretor finalmente afirmou: “Mas, no final do dia, design é uma questão de gosto pessoal”. A empresa em questão entrou recentemente em concordata. Em certo sentido, o diretor tinha razão. A política de design do Reino Unido se fundou historicamente na missão de “elevar” o gosto do mercado de massas, com os Design Councils tendo como missão básica a definição dos padrões do “bom design”. E essa busca apostólica das “classes médias cultas” não se harmonizava com os industrialistas e seus aliados. Em 1951 o Tesouro enviou um relatório recomendando o fechamento do Design Council, já que não via futuro para o “bom gosto”.

Segundo o relatório “Parece que quanto pior o design de um objeto, mais ele vende no mercado externo. Cachorrinhos de porcelana tipo china aparentemente são muito populares no exterior”.
Se a missão do modernismo era quebrar os cachorrinhos de porcelana e tudo que eles representavam, a preocupação do pós-modernismo era ter mais e mais variados cachorrinhos, preferivelmente de plástico e manufaturados na China. Globalização, diversidade e escolha do consumidor substituíram os questionáveis princípios do “bom gosto”, com os Design Councils desde então abandonando seu papel de árbitro do gosto. Como sabemos, o gosto é um sistema de distinção e diferenciação que literalmente marca quem nós somos, dando forma a nossa identidade.

O design não é mais uma tentativa de impor um gosto modernista ao mercado de massa, e sim uma questão de compreender os gostos de grupos específicos de consumidores e de dar aos produtos formas e sentimentos que expressem os significados subjacentes a esses gostos. A forma não mais segue a função. A forma segue o significado.
Mirja Kalviainen, da finlandesa Kuopio Academy of Design considera que o processo de design deve incorporar uma compreensão do gosto do consumidor. “O elemento do gosto em objetos de design não deve estar baseado na crença pessoal dos designers. “Atitude de reflexão e abertura para o questionamento dos conceitos pessoais de gosto do designer são fundamentais nos processos de design nos quais o gosto do consumidor é levado em conta”.

Kalviainen propõe três áreas práticas de pesquisa para guiar o designer na compreensão do gosto dos usuários:

1) A estrutura objetiva – Trata das características demográficas do grupo usuário, do contexto de uso e da história do produto nesse contexto.

2) A criação de significados – Aqui o interesse é no significado simbólico no qual são examinadas as histórias de vida dos usuários e as formas pelas quais eles constroem significados a partir dos produtos de consumo.
3) A rede de influências – O universo social do usuário, incluindo os códigos e rituais sociais, regras de interação e influências críticas, é explorado pelo designer.
Em suma, Kalviainen argumenta que a pesquisa empírica no mundo do consumidor, vista através das perspectivas teóricas das ciências sociais que procuram explicar a criação de significados no consumo – e sublinhada por um auto-questionamento e uma reflexão do designer, pode oferecer uma compreensão essencial do gosto do consumidor.

Muitas empresas de consultoria já estão se especializando nessa área de pesquisa. Nos EUA a Image Engineering desenvolveu um método de pesquisa qualitativa que afirma extrair respostas emocionais dos consumidores aos símbolos visuais da marca e do design dos produtos, mapeando assim sua “construção de significados”.
A pesquisa do gosto do consumidor é essencial para o design que almeja se conectar com o universo emocional do consumidor.

O gosto é parte da função “soft” de qualquer produto ou serviço e, como argumentam McDonagh-Philip e Lebbon, “a funcionalidade soft não pode simplesmente ser aplicada a posteriori, como uma camada de verniz. Ela deve ser inerente ao conceito de design. Ela só vai adicionar valor se for emocional e culturalmente significativa para o público-alvo”.

Sunday, January 06, 2008

52ª questão - Quem ganha com o modelo de design centrado no consumidor?

Ultimamente o design está em evidência nas reuniões de board de várias corporações. Como relatado na revista Época Negócios, alguns profissionais dessa área estão ganhando o respaldo da alta administração em suas empresas como Butler na Coca, Hacker na J&J, Claudia Kotchka na P&G e Jonanthan Ive na Apple.

O nosso desafio é justamente tornar o design cada vez mais influente no mundo dos negócios, tornando-o uma área de especialização importante nas tomadas de decisão. Algumas empresas já perceberam como tornar o design um diferencial competitivo. Utilizam o design para melhorar a experiência e estabelecer ligações emocionais mais forte e relevantes com os consumidores.

O design centrado no consumidor é uma das melhores práticas que hoje emergem em diversos setores de atividade, particularmente naqueles:

- caracterizados por produtos práticos que não geram naturalmente apelos emocionais;

- em que a concorrência se baseia cada vez mais em tentativas menos rentáveis de reduzir custos ou aumentar o desempenho;

- em que produtos diferenciados começam a entrar em processo de homogeneização; e
- em que há pouco espaço para inovação de produtos.

A propósito, a foto acima é um jogo de cartas desenvolvido pela Ideo que serve tanto para informar quanto inspirar a equipe de design na realização de projetos. É composto de 51 cartas, podendo ser utilizado de várias maneiras para ajudar na geração de idéias inovadoras e centradas nos consumidores. Talvez os jogos de truco da época da faculdade não tenham sido tão inúteis afinal.

Saturday, January 05, 2008

51ª questão - O que é exatamente branding?

Essa apresentação é da consultoria americana Neutron LLC. Vale a pena dar uma olhada. Além de responderem a pergunta do post, eles mostram de forma bem interessante a diferença entre marketing, telemarketing, relações públicas, propaganda, design e branding.

Para quem tiver interesse em saber mais sobre o tema, recomendo ler o livro Brand Gap da mesma consultoria. Um dos principais pontos é a explicação de como o trabalho em equipe, torna-se a chave para construção de marca.

Thursday, January 03, 2008

50ª questão - Você quer a dieta de 600 ou 1200 calorias?

Após um breve período de férias volto aqui para escrever o primeiro post de 2008. O local escolhido para um merecido tempo dedicado ao ócio foi um spa. Aliás descobri que a origem da palavra ócio vem do grego "skolé", que em português significa escola. É o tempo livre onde se aprende, onde se usufrui da vida, da existência; por isso se diz que a Filosofia, a Arte e a Ciência são originárias da escola e portanto filhas do ócio. Este tempo sagrado interrompido pela necessidade de trabalhar pelo sustento, sendo portanto negado, deu origem a palavra “negócio” que vem do latim "necotium" não-ócio.

Voltando a falar da minha estadia no spa, posso dizer que foi uma experiência bem interessante. Ainda mais, quando uma das primeiras perguntas que fazem é se você prefere as refeições de 600 ou 1200 calorias. Após o impacto inicial acaba-se acostumando, sendo que no final estava achando normal nas minhas prometidas férias relaxantes, ter que fazer uma avaliação do meu índice de gordura.

Fica fácil cair em clichês quando se fala em spas. Ainda mais quando na atividade de caminhada pelas redondezas, passamos por uma família moradora da região e de origem humilde. É quase impossível não fazer alguma observação sobre enquanto de um lado tem gente que anda 7 km para trabalhar, de outro existem pessoas que pagam caro para andar a mesma distância por livre e espontânea vontade. E nesse valor ainda estão inclusas refeições sem tempero servidas em pequenas porções. Interessante observar como os símbolos de status vão mudando conforme os tempos.

Depois de passar pelas sociedades agrícolas e industriais, vivemos atualmente a sociedade da informação. Época essa onde a demanda por esforços físicos caiu drasticamente e muitos trabalhadores tornaram-se sedentários. O que antes era realizado como atividade produtiva, hoje em dia tornou-se uma forma de exercitar a vaidade e o individualismo. Cada vez mais temos consciência do nosso corpo e da importância em cuidar de sua manutenção. Apesar dessa tendência estar muito forte hoje em dia, já se falava em regimes alimentares desde 1825. Brillat-Savarin escreveu um livro chamado A fisiologia do gosto onde restringe o consumo de biscoitos, bolos, batatas e macarrão. O mais curioso foi sua reação aos críticos de seu livro: "- Muito bem: comam! Engordem! Fiquem feios, balofos e asmáticos; enfim morram em sua própria gordura derretida."

Temos hoje em dia, diversos recursos para cuidar de nossa saúde: spas, personal trainers, academias com tecnologia de última geração, yoga, pilates, alimentos orgânicos, diet, light, funcionais, etc...Muito desses itens podem ser apenas modismos passageiros. O que importa, é conseguir ver o que existe por trás desses modismos. Entender o significado dessa tendência em se cuidar e viver com mais qualidade de vida. O que realmente motiva as pessoas a buscarem uma vida saudável? É um fenômeno incentivado pela individualização de nossa sociedade? O culto ao corpo e estética é uma forma de fuga do auto-conhecimento? Bom, para responder essas perguntas só mesmo voltando ao spa e praticar o ócio em seu sentido original. Posso até não conseguir encontrar as respostas, mas sem dúvida é melhor usufruir da vida do que fazer negócio.

Thursday, December 13, 2007

49ª questão - Design é democrático?

Ontem tive a oportunidade de ir na apresentação dos trabalhos desenvolvidos no curso de embalagens da ESPM, ministrada pelo professor Fábio Mestriner. Fiquei surpreso com os trabalhos apresentados, principalmente pelas soluções que cada grupo desenvolveu. Foi extremamente rico verificar as diferentes propostas para um mesmo briefing. Todos os grupos mostraram interpretações diferentes para a solução de um mesmo problema.

A questão não foi discutir se as propostas eram certas ou erradas, mas sim analisar os diferentes pontos de vista. O importante foi fazer a "lição de casa". ou seja, ir no campo fazer pesquisa, analisar as oportunidades, prestar atenção nos detalhes que compõem uma embalagem, além de cuidar das aplicações de forma, cor e imagem. Uma mensagem essencial transmitida, foi de que o designer deve escolher um caminho e ir nele até o final. Isso gera mais segurança, consequentemente transmitindo aos clientes uma convicção maior na apresentação de qualquer trabalho. O próprio diretor de marketing da Xerox, que também estava presente disse: "A agência tem que me trazer a solução que ela acredita, não inúmeras para eu ter que escolher."

O cliente não tem obrigação de aprovar o projeto. Mas nós como designers, temos a obrigação de apresentar sempre a melhor solução possível para o negócio de nossos clientes. Por isso deve-se seguir uma metodologia consistente, onde seja possível ter parâmetros claros para medir a qualidade de um projeto. Esse processo com certeza foi transmitido no curso, resultando em propostas bem embasasdas e inovadoras dentro da categoria estudada.

Mais do que todo o conhecimento e serviços prestados para o design de embalagem, minha admiração pelo Fábio Mestriner baseia-se em outro aspecto. Acho inspirador o seu respeito com as pessoas, clientes e profissão que escolheu seguir. Com certeza sua contribuição para o desenvolvimento da área de embalagens é digna de aplausos.

Para finalizar, gostei de três definições do Fábio que ouvi ontem:

1) Design não é criação. Design é metodologia, projeto.
2) Design não é democrático.
3) A história é resultado dos atos humanos, não de intenções.

Essas definições podem gerar polêmicas com algumas pessoas que conheço. Mas como já disse, existem diferentes pontos de vista. O que eu acredito é: seguir uma metodologia, ter consistência para defender o que se acredita e não dar desculpas por não ter feito o melhor trabalho possível.

Tuesday, December 11, 2007

48ª questão - Quanto vale um elogio?

Algumas pessoas trabalham por dinheiro. Outras por poder. No meu caso, devo confessar que trabalho por vaidade. Meu maior prêmio é ser reconhecido pelo meu conhecimento e inteligência. Adoro ser elogiado pelos trabalhos que faço. Lógico que isso não deve ser um privilégio meu, afinal conheço várias pessoas que também são extremamente vaidosas pelas obra-primas que oferecem ao mundo.

O motivo de escrever sobre isso, foi o comentário que recebi do meu professor do curso de pós-graduação. Tinhamos de fazer um artigo sobre o segmento de pessoas entre 40 e 49 anos. Nesse artigo fizemos uma análise sobre as motivações, tendências de consumo, características de comportamento, além de outras informações relevantes.

Para minha surpresa tirei uma nota muito boa. Apesar de ter me esforçado bastante para entregar o melhor trabalho que pudesse fazer, o resultado final superou minhas expectativas. Recebi uma avaliação extremamente positiva, lendo várias vezes o e-mail dele para massagear meu ego. Não tenho a intenção de escrever um
post piegas, falando sobre o valor do esforço e sacrifício em prol de uma recompensa futura que fará tudo valer a pena.

Mas o fato é que um elogio pode valer madrugadas em claro, finais de semana estudando, além da cara feia dos amigos por ficar dentro de casa isolado e sem atender o celular. Nesse caso, pelo menos para mim ser reconhecido não teve preço. Os bens emblemáticos que eu valorizo, situam-se muito mais na área do conhecimento e cultura do que propriamente nos bens materiais. Interessante observar como tanto um quanto outro podem servir para demarcar posições de status e hierarquia.

Só para finalizar, quem quiser deixar comentários elogiando meus posts ficarei muito grato. Lógico que existe o risco de me tornar cada vez mais insuportável. Porém, prometo pagar cada elogio, escrevendo coisas muito mais interesantes do que me auto-promover.

Friday, November 16, 2007

47ª questão - Qual o significado de fazer compras?

Aproveitando o post anterior sobre crianças e supermercados, descobri outra atividade interessante para fazer além de fotografar gôndolas. Agora eu tenho a mania de filmar pessoas durante seus momentos de compra. Abaixo filmei uma criança (com sua autorização) quando ela estava na gôndola de sopas.



A princípio foi uma forma de observar como as pessoas reagiam com as embalagens. Pude analisar quais embalagens chamavam mais a atenção, se os consumidores a tocavam, quanto tempo elas demoravam para achar o produto que queriam, além de outras informações interessantes.

Após as aulas que tive sobre Shoppology minha percepção e entendimento do ambiente de ponto de venda aumentaram bastante. Hoje em dia além das embalagens, procuro prestar bastante atenção na experiência de compra oferecida para as pessoas. O ponto fundamental para um melhor resultado é fazer a lógica do PDV ser a lógica do consumidor. É isso que vai fazer com que as pessoas se identifiquem ou não com determinada loja, supermercado ou shopping.

Para quem um dia, sofreu como eu nos hipermercados dos anos 80, fazer compras no Pão de Açúcar do Shopping Iguatemi é uma verdadeira redenção. Muda completamente o significado do que é fazer compras. O que antes era considerado uma obrigação, pode ser transformado num momento de prazer que usufruímos para nossa gratificação. Ainda assim, devo confessar que não troco ir no cinema pelo supermercado. Talvez o mesmo não ser dito sobre as crianças de hoje que já encaram o supermercado como um lugar lúdico. Um dos desafios mais interessantes é tentar entender o impacto disso no comportamento futuro delas.

Só por curiosidade, também filmei um adulto no momento de compra na sessão de sopas.

46ª questão - O que fotos de gôndola tem a ver com design?


Confesso que ir no supermercado nunca foi meu programa favorito. Aliás muito longe disso. Fica fácil de entender o motivo, quando lembramos da experiência de fazer compras antigamente. Ainda guardo lembranças da minha infância onde eu tinha de acompanhar meus pais nas famigeradas compras do mês. Como os índices de inflação eram altissímos, todas famílias estocavam os produtos antes que subissem os preços, causando enormes filas nos caixas. Apesar da minha mãe ser psicóloga, tarefas que estimulassem a autonomia e minha noção como consumidor não eram incentivadas. Dessa forma, em vez de eu poder escolher produtos essenciais como bolachas e sorvetes, me restavam tarefas menos nobres como empurrar o carrinho e colocar tudo rapidamente dentro dos pacotes após o caixa.

Ironicamente hoje em dia meu trabalho exige passar bastante tempo dentro de supermercados. Não me tornei empacotador, mas quase isso. Afinal minha função essencial é proteger e tornar mais fácil o transporte dos produtos para as pessoas. Trabalho em uma agência com grande expertise em design de embalagens, atuando na área de planejamento e novos negócios.
Com isso vivo em supermercados tirando fotos de gôndolas. Tenho fotos de diversas categorias passando por alimentos até materiais de construção. Sempre que encontro alguma embalagem nova ou algo diferente, procuro registrar para ter de referência. Isso é fundamental para análise das diversas variáveis que devemos levar em conta no desenvolvimento de um projeto. Devem ser observadas questões como impacto frente aos concorrentes, padrões da categoria, iluminação e exposição na gôndola, atratividade para os consumidores, etc...

Apesar de muita coisa ter mudado de uns anos para cá, as crianças de hoje em dia ainda continuam empurrando os carrinhos e empacotando as compras. A diferença é que ganharam um grande poder de decisão e ainda por cima negociam quantos chocolates valem seu “trabalho”.

45ª questão - Quais as marcas mais valiosas do mundo?


Já falei sobre o relatório da Interbrand "Best Global Brands 2007" na questão de número 34, mas volto ao assunto porque acho que vale a pena. Dei uma lida no relatório e encontrei informações interessantes sobre tendências e indicadores do que as empresas estão desenvolvendo em Gestão de Marcas. Abaixo traduzi o texto de conclusão da primeira parte do relatório:

"Torne simples
Torne dinâmico
Mantenha em movimento

Os fundamentos da criação de valor de marcas, exemplificados na lista das 100 melhores marcas globais, mostra como as empresas líderes estão gerenciando suas marcas com uma série de ações e iniciativas que a promovam dentro do contexto dos negócios. Entre as iniciativas algumas podem ter foco na comunicação de mídia ou então em um programa interno que envolva os colaboradores com os valores da marca. Mas o que essas iniciativas indicam é que a estratégia de marcas tem tido ultimamente um impacto decisivo na habilidade de se criar e construir valor.

As marcas não atuam em um ambiente passivo. Elas precisam se mostrar e interagir com o mundo para continuarem relevantes. Os mercados são dinâmicos e influenciam as marcas a mudarem constantemente, por isso é necessário existir uma estratégia de marcas para articular corretamente seu posionamento no mercado. As marcas precisam gerenciar suas ações através das influências e forças que determinam a clareza de seu posicionamento. Gerenciar marcas é um processo constante. As ações são criadas para gerar diferenciação. Elas são gerenciadas e implementadas, e a partir dai seus resultados podem ser mensurados e utilizados para definir estratégias futuras. A avaliação de marca é um grande medidor do seu sucesso e nosso relatório tem mostrado a cada ano algumas organizações fazerem isso melhor do que outras. Aquelas que fazem melhor reconhecem o dinamismo necessário para um eficiente gerenciamento de marcas e a conexão entre as ações. Torna-se um processo ciclíco onde existe a aceitação de que uma estratégia de posicionamento que atinja o coração e mentes dos consumidores, é uma atividade que precisa ser progressiva e constante. Como algumas outras, esta é uma disciplina dirigida a compreensão e em desenvolvimento permanente."

Wednesday, November 14, 2007

44ª questão - Qual a importância da gestão do design nas empresas?

Semana passada estive presente no I Fórum Gestão do Design na Faculdade Belas Artes. O evento foi organizado pelos alunos e ex-alunos do curso de Pós-Graduação da faculdade. O tema escolhido foi “A importância da gestão do design nas empresas” com os palestrantes apresentando suas opiniões sobre o tema.

As palestras foram realizadas por profissionais de diferentes expertises, passando por atividades como consultor na área de branding, publicitário, designer, empreendedor e gestor de design dentro da empresa. Outro motivo importante para eu ter ido, foi o fato do meu primo ser o mediador no primeiro dia de debate. Ele foi um dos integrantes da equipe que organizou e tornou realidade esse fórum. Deixo aqui meus parabéns para todos que ajudaram e tiveram seus esforços recompensados com um evento bem feito e de excelente nível.


O interessante foi observar os diferentes pontos de vista sobre o assunto gestão de marca. Cada palestrante apresentou sua visão de como o design pode ajudar as empresas a construir marcas. Todas tinham pelo menos um ponto em comum: ressaltaram a importância cada vez maior do brand equity na geração de valor para os stakeholders através dos valores intangíveis.

Traduzindo para uma linguagem que todas entendam, o discurso hoje em dia é de trabalhar a marca para criar significados que tenham valor para as pessoas Esse valor é que faz as pessoas pagarem um valor financeiro maior pela marca desejada do que pelo concorrente. Com isso a marca é mais rentável, obtém melhores resultados financeiros e aumenta o valor das ações da empresa.

Sobre o objetivo do fórum de discutir a importância da gestão de design, ficou evidente o papel fundamental dos profissionais em se prepararem. A demanda no mercado é por profissionais multidisciplinares com conhecimento em áreas como marketing, pesquisa, sociologia, gestão de projetos e obviamente uma sólida base sobre os fundamentos do design.

Para esse tipo de profissional mercado não falta e as perspectivas para o futuro são ainda melhores. É crescente a procura nas empresas por gestores que pensem estrategicamente e tenham a capacidade de utilizar o design para gerar inovações importantes. Quem tiver mais interesse sobre o assunto, leia o post 39ª que comenta sobre a entrevista da VP mundial de design da Procter na revista Época Negócios.

Tuesday, November 13, 2007

43ª questão - Você prefere ter mais tempo ou mais dinheiro?

Hoje em dia tornou-se até lugar comum dizer que uma das coisas mais valiosas é o nosso tempo. Aos poucos esse item ganha cada vez mais valor, substituindo até mesmo bens de consumo. Passar mais tempo com a família ou buscar o auto-conhecimento tornou-se um objeto de desejo para muitas pessoas. Aqui no Brasil essa tendência apresenta um crescimento bem forte, comprovando-se no resultado da pesquisa que a GFK Indicator fez com seguinte pergunta: O que você prefere, ter mais tempo ou mais dinheiro? Embora o país ainda não ofereça uma qualidade de vida satisfatória para maioria da população, 30% respondeu que prefere mais tempo.

Eu mesmo comecei a tentar entender porque estou sempre correndo e com alguma pendência. Se fizer uma descrição de minha "vida digital" posso dizer que:
- mantenho 3 blogs ativos
- participo de 4 comunidades (Orkut, Linkedin, Facebook, WAYN)
- participo de 2 grupos de discussão do Yahoo
- tenho página com perfil no You Tube
- sempre verifico mensagens nas 4 contas de -emails
- assino e leio o conteúdo das revistas HSM, Exame, Veja e Época Negócios
- assino e leio o conteúdo dos jornais Meio e Mensagem, Valor Online e Folha de São Paulo
- leio blogs de publicidade e planejamento
- assisto tv pelo Joost
- assisto palestras da Endeavor
- tenho uma página no Fotologue com as fotos de gôndola que fotografo
- ouço podcasts

Com essa lista entendi porque nossas 24 horas diárias nunca são suficientes. Afinal fora tudo isso, ainda me resta fazer atividades importantes como trabalhar e ficar com a família. Só para deixar claro, minha família não é do Second Life, é de verdade mesmo.

Nossa geração vive uma situação engraçada, afinal todos indicadores apontam a tendência de mais tempo de vida. Por outro lado, nunca estivemos tão ocupados e sem tempo para aproveitar a vida.